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Blog Crítica Prática

A canção de Deodora

(2010)


Segue no anexo um presente: "A canção de Deodora"... A melodia é do Zé Gramani, e a letra tem a minha participação e foi arranjada pelo José Esmerindo e gravada no seu CD "Esmeros" (COMPACT DISC, 2010). O CD todo ficou maravilhoso!!!! Ainda não sei como vai ficar a distribuição... Mas segue esta palhinha no anexo...

Explico: há mais de 16 anos atrás participei da composição desta letra... Quando Ana Terra (minha filha mais velha) nem existia... Ela ficou esquecida na minha memória, que a cantarolava em casa de vez em quando... A letra ficou com a Ana Salvagni (que bom que ela não joga papéis fora)...

A canção conta - em primeira pessoa - a história de uma rabeca construída por Nelson dos Santos, com Gameleira, em Marechal Deodoro (AL)... Conta a história do lugar de onde saiu a rabeca e porque ela se mudou...

Em 1991/1992, Ana Salvagni, estava comigo - nas férias - andando pelas Alagoas, e tratou de escavucar uma rabeca pro Zé Gramani que, na época, já estava interessado em pesquisar o instrumento pelo Brasil afora... Nós compramos uma rabeca e trouxemos para Campinas...

O Zé já pegou a rabeca, foi dando nome e compondo as mais belas canções que eu já vi, com um jeito de - com delicadeza - fazê-la dizer o que ele sentia - e o que a gente sentia também... Um jeito que só o Zé tinha: aquela liberdade que só os que dominam seus instrumentos podem ter... A rabeca ria nas mãos do Zé... Um riso gostoso que nos levava com ele...

Gramani fez a melodia na Deodora (este o nome que ele deu à rabeca) - e, se não me engano, foi uma das primeiras canções que saiu desta combinação Deodora/Zé...

Brincando, eu e Ana Salvagni, na grande mesa da casa da Shinobu, fizemos a letra... Eu dizia alto o que vinha na minha cabeça quando ouvia a "Canção da Deodora"... E a Ana dava um jeito daquilo ter nexo técnico... Naquela época todo mundo dizia que era uma letra inviável... O Zé Esmerindo provou o contrário e taí a Deodora no anexo...

Depois, O Zé Gra concretiza o projeto das rabecas em uma pesquisa com recursos da FAPESP e produz o belíssimo "Mexericos da Rabeca", no qual sai também o belíssimo Lundu "Ana Terra" (que o Zé queria que eu letrasse e eu nunca consegui concluir esta cação, pois a Ana Terra ainda vai se fazendo conhecer)...

O Gramani falesceu há alguns anos, mas deixou uma obra linda... Vi tanta coisa sair das mãos dele... Trem de Cordas, Duo bem Temperado, Ânima, Oficina de Cordas, Companhia Sarau... Na raiz, todos estes grupos e produções tinham os dedos mágicos de um Zé especialíssimo! Que eu não consigo descrever, so sentir...

O afeto que tínhamos um pelo outro fica registrado ai nesta parceria... Como um presente... Matando a saudade que eu sinto do Zé Gramani e unindo o que a vida levou para sempre...

Obrigada ao genial e esmerado Zé Esmerindo... Que nem sabe o imenso bem que me fez... Que pôs todos nós de novo juntos neste tempo especial da memória que só morre quando morre o último que viveu o fato... A história da Deodora vai viver mais, porque o Zé Esmerindo prolongou sua vida... Transformou um momento do passado em um belíssimo arranjo

Obrigado aos Zés que arrancaram lá do fundo de mim uma coisa que eu ando esquecendo: a avançadíssima capacidade de poetar...

A Canção diz: Você não sabe de que canto que eu venho!/Você não sabe de que canto que eu venho!/Do gameleiro lá da beira da lagoa,/Venho dos licerces de outras terras Marechá/ Venho de onde o vento venta nos coqueiros/ Cheio, aconchego ê vida.../ Lembro do cheiro da castanha no braseiro/ dos berreiros dos meninos de Inhá Tonha no Quintá/ Ai que saudade daquelas terra de lá/ Das mãos do home que me fez pra cantá!

A Deodora também diz de minha migração... Na história da rabeca, esta a minha própria história...

Um dia, desta história, ainda sai um conto... Venho prometendo isto prá mim...

De presente para vocês também,








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