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Blog Crítica Prática

MARXISMO, TEORIA DO CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO - 4a Edição

– AULA INAUGURAL 21.11.2016 –


Marxismo:


Neste nosso primeiro contato, com o fim de delimitação, cabe um apontamento inicial acerca da abrangência – ou da necessidade de delimitação – daquilo que convencionou-se nominar “marxismo”.


Os vários autores que dedicam-se ao estudo do marxismo apressam-se por destacar estarmos diante de uma “tradição intelectual comum” sem deixar de manter “divergências e oposições internas” (ANDERSON, 1976, p. 13). Nesta linha, posicionando-se acerca da “teoria marxista da história”, em 1997, nos diz José Paulo Netto:


[...] estou convencido de que nunca existiu essa tiragem quimicamente pura, ideologicamente pura, teoricamente pura, – o marxismo – também não existe uma teoria marxista da história. O que se convencionou designar como marxismo, é um compósito campo teórico-cultural, teórico-político, onde convivem e se entrecruzam e frequentemente colidem e se chocam, variadas correntes intelectuais e práticas interventivas; por isso mesmo existem teorias marxistas da história, em maior ou menor escala, vinculadas às distintas correntes do pensamento marxista e isso sem contar a influência exercida por essas correntes sobre outras vertentes teórico-metodológicas. O reconhecimento dessa pluralidade de concepções teóricas é um imperativo posto pela análise da realidade do desenvolvimento da tradição teórica fundada por Marx. A sua diferencialidade me parece inconteste. Não vejo como negá-la se examinamos as elaborações de um Gramsci, de um Ernst Bloch, de um Lukacs, de um Benjamin, ou mesmo as investigações, pensando nos ingleses, de um Hill, de um Thompsom, de um Hobsbawm ou de um Anderson. Um tal reconhecimento, entretanto, não pode iludir a necessidade de uma investigação rigorosa acerca de sua maior ou menor fidelidade metodológica a Marx. Fidelidade que obviamente não tem nada a ver com qualquer interpretação talmúdica ou fundamentalista da teoria marxiana. É claro que esse problema não há de ser abordado aqui, mas a menção a essa pluralidade me é importante por duas razões: primeiro, infirma qualquer crítica genérica às teorias marxistas da história, por mais pertinentes que sejam, se referidas a manifestações teóricas particulares. O que quero dizer com isso é que uma crítica radical, por exemplo de Althusser, como aquela que foi elaborada por Thompsom, isso infirma a elaboração althusseriana e não a matriz teórica, uma vez que essa matriz é uma matriz pluralizada. Em segundo lugar, ela obriga que a exposição dos marxistas acerca de suas concepções teóricas explicite sempre a sua vinculação concreta a um referencial próprio do campo marxista (PAULO NETTO, 2000, p. 52-53).


A passagem acima nos serve também para aclarar que esta “tradição intelectual comum”, não é uniforme, assim como nem sempre foi fiel à matriz fundadora desta tradição, o que coloca aos iniciantes o problema de reconhecer os autores que compõem esta tradição e o núcleo central que a demarca.


O problema da fidelidade teórica não é menor! A distorção das ideias originais de Marx e Engels deu-se já no processo de sua fundação – por dificuldade de incompreensão ou má fé, o que levou a reações do próprio Marx. Iring Fetscher, no verbete “evolução do marxismo” do Dicionário do pensamento marxista (BOTTOMORE, 2001, p. 243-245), nos diz:


A palavra “marxismo” era desconhecida durante a vida de Marx. É famoso o comentário de Marx, transmitido por Engels, de que “sei apenas que não sou marxista”, feito em relação a certas frases de seu genro Paul Lafargue. É impossível, evidentemente, deduzir disso que Marx em princípio rejeitava a idéia de que um sistema teórico emergisse de sua obra [...] (FETSCHER, in: BOTTOMORE, 2001, p. 243).


Em Sobre História Hobsbawm (1998) vai retomar a necessidade da vigilância em relação ao que de abrangente se chama de “marxismo”:


Gostaria de prenunciar um tempo em que ninguém pergunte se os autores são marxistas ou não, porque os marxistas poderiam então estar satisfeitos com a transformação da história obtida com as idéias de Marx. Mas estamos longe de tal condição utópica: as lutas de classe e de libertação, ideológicas e políticas, do século XX são tais que isso é até inconcebível. Quanto ao futuro previsível, teremos que defender Marx e o marxismo dentro e fora da história, contra aqueles que os atacam dentro do terreno político e ideológico. Ao fazer isso, também estaremos defendendo a história e a capacidade do homem de compreender como o mundo veio a ser o que é hoje, e como a humanidade pode avançar para um mundo melhor (HOBSBAWM, 1998, p. 184).


Aos que se iniciam no marxismo, o desafio torna-se mais árduo. Falamos de uma tradição que vem sendo disputada e atacada com paixão pelas destacadas contribuições teóricas revolucionárias que traz! Reconhecer, pois, esta tradição é o primeiro desafio do iniciante.


Nesta direção, Perry Anderson (1976) traz importantes contribuições em seu Considerações sobre o marxismo ocidental, no qual se coloca o objetivo de “localizar historicamente um determinado corpo de trabalho teórico e sugerir as coordenadas estruturais que definem sua unidade – em outras palavras, que o constituem, apesar das divergências e oposições, como uma tradição intelectual comum” (ANDERSON, 1976, p. 13). Estruturando o livro em Prefácio, cinco capítulos e posfácio, o autor identifica uma “tradição clássica”, na qual encontramos Karl Marx, Friedrich Engels, Labriola, Mehring, Kautsky e Plekhanov, Lenin, Rosa de Luxemburgo, Hilferding, Trotsky, Bauer, Preobrazhensky, Bukharin. No “marxismo ocidental”, Anderson localiza Lukács, Korsh, Gramsci, Benjamin, Horkheimer, Della Volpe, Marcuse, Lefebvre, Adorno, Sartre, Goldmann, Althusser e Coletti. Por fim, Costa Neto reconhece na obra de Anderson o apontamento de uma tradição “que se constituiu de forma paralela à do marxismo ocidental: a tradição associada à obra de Leon Trotsky e alguns teóricos ligados ao seu legado (Isaac Deutscher, Roman Rosdolsky e Ernest Mendel) (COSTA NETO, 2014, p. 12).


A consciência da abrangência da expressão “Marxismo”, pede que delimitemos aquilo que nesta disciplina nos dispomos a abordar:


Estudo cronológico da obra de Marx e Engels com o fim de apreender, na crítica à perspectiva de cientificidade burguesa, o processo de elaboração da concepção materialista e dialética da história, destacando-se especialmente (a) as origens e as fontes do marxismo, e, no debate do tempo histórico, (b) o posicionamento ontológico, gnosiológico, axiológico e teleológico assumido pelos autores (Ementa, PPGE/FACED/UFBA).


A proposta é a leitura cronológica dos textos de juventude que demarcam a passagem da dialética idealista para a dialética materialista e o materialismo dialético – também conhecida como concepção materialista e dialética da história. A proposta é realizar o estudo direto na fonte dos textos de Marx e Engels acompanhando o aparecimento dos problemas que possibilitam o pensamento fundador do marxismo (sobre que pensaram?) e, simultaneamente, a procura dos caminhos mais consistentes para a solução destes problemas (como pensaram?). Buscaremos: (a) reconhecer a conjuntura e o processo histórico que possibilitam a Marx e a Engels desenvolverem a Concepção Materialista e Dialética da História; (b) reconhecer as obras que vão sendo produzidas demarcando o movimento de passagem da dialética idealista para o materialismo dialético; (c) a forma como apanham os problemas fundamentais da filosofia retirando-os do terreno da especulação filosófica para o campo prático (transformação material), produzindo teorias acerca da relação matéria/consciência, possibilidade do conhecimento e critério de verdade; (d) reconhecer as concepção de ciência, verdade, crítica e prática que decorrem deste modo de ver; (e) reconhecer, no processo de investigação empreendido pelos dois autores, os traços centrais daquilo que é a investigação científica na perspectiva da Concepção Materialista e Dialética da História; (f) reconhecer o que é o cerne do marxismo de Marx e Engels e em quais obras este cerne está melhor delimitado.


O estudo dos passos iniciais do marxismo será feito considerando-se as pistas deixadas pelo próprio Marx, quando, em 1859, publica Contribuição à crítica da economia política, obra na qual expõe “o sistema da economia burguesa: capital, propriedade fundiária, trabalho assalariado; Estado, comércio externo, mercado mundial”. Nesta obra, destaca-se o Prefácio no qual Marx expõe em síntese a “maneira de ver” que os diferencia (incluindo Engels) da “concepção ideológica da filosofia alemã”. É precioso o cuidado de Marx em pontuar (a) o objeto dos seus estudos especializados (a jurisprudência, enquanto disciplina complementar da filosofia e da história); (b) o momento em que tem sua atenção despertada para o que era costume chamar-se “interesses materiais”, que o levam a ocupar-se das “questões econômicas”; (c) o caminho que percorreu para “esclarecer as dúvidas” que lhe “assaltavam”; (d) as fontes de que se utilizou em suas investigações; (e) as conclusões a que chegou; (f) a parceria (e a co-autoria) das conclusões partilhada com Engels; (g) as interrupções diversas das “longas e conscienciosas pesquisas” que empreende para chegar às suas conclusões (MARX, 1977, p. 27)[1].


Deste riquíssimo Prefácio, queremos destacar a forma como Marx expõe a trajetória que o leva às conclusões que divulga nesta importantíssima obra. Após expor o foco, o plano e a estrutura[2] de Contribuição à crítica da economia política, Marx dá ênfase ao processo – o caminho entre o aparecimento da necessidade da investigação, a precisão da pergunta e a produção, pela pesquisa, da resposta, a forma da organização dos registros de sua investigação. Aqui, destaca (a) partir do registro de seus estudos em “monografias escritas com longos intervalos para meu próprio esclarecimento, não para impressão, e cuja elaboração sistemática, segundo o plano indicado, dependerá das circunstâncias”; (b) esclarecer as questões que surgem da atuação como redator da Reinusche Zeitung pela via da “revisão crítica”, primeiro, da Filosofia do Direito, de Hegel, trabalho, cuja introdução apareceu nos Deutsch Französsische Jahrbücher, publicado em Paris em 1844”, depois, pelo esclarecimento do “antagonismo existente entre a nossa maneira de ver e a concepção ideológica da filosofia alemã” na forma de uma “crítica da filosofia pós-hegeliana”[3] (MARX, 1977, 23-27).


No conjunto deste movimento[4] de revisão crítica – que fazemos questão de destacar a partir da exposição do próprio Marx em texto publicado em vida – damos ênfase a um processo no qual estão presentes: (a) o reconhecimento da produção clássica acerca dos objetos em investigação – a filosofia alemã, a economia inglesa, o socialismo utópico francês, a historiografia alemã, francesa e inglesa[5]; (b) um método de revisão desta produção orientado pelo esforço de apreensão (i) do estágio de desenvolvimento dos conhecimentos sobre os objetos em apreciação, (ii) dos supostos nos quais assenta-se a lógica da explicação dos fenômenos, (iii) das conexões entre o reflexo possível na consciência destes clássicos e o estágio de desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção.


A síntese desta concepção de crítica da produção do conhecimento (da produção das ideias) na qual são articuladas as conexões internas (a lógica da construção da explicação) e externas (os nexos com o tempo histórico), é cuidadosamente exposta por Marx no mesmo Prefácio de 1859:


O primeiro trabalho que empreendi para esclarecer as dúvidas que me assaltavam foi uma revisão crítica da Filosofia do Direito, de Hegel, trabalho, cuja introdução apareceu nos Deutsch Französische Jahrböcher, publicados em Paris, em 1844. Nas minhas pesquisas cheguei à conclusão de que as relações jurídicas – assim como as formas de Estado – não podem ser compreendidas por si mesmas, nem pela dita evolução geral do espírito humano, inserindo-se pelo contrário nas condições materiais de existência de que Hegel, à semelhança dos ingleses e franceses do século XVIII, compreende o conjunto pela designação de “sociedade civil”; por seu lado, a anatomia da sociedade civil deve ser procurada na economia política. Tinha começado o estudo desta em Paris, continuando-o em Bruxelas, para onde emigrei após uma sentença de expulsão do Sr. Guizot. A conclusão geral a que cheguei e que, uma vez adquirida, serviu de fio condutor dos meus estudos, pode formular-se resumidamente assim: na produção social da sua existência, os homens estabelecem relações determinadas, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a um determinado grau de desenvolvimento das forças produtivas materiais. O conjunto destas relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base concreta sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e a qual correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é o seu ser social que, inversamente, determina a sua consciência. Em certo estágio de desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes ou, o que é a sua expressão jurídica, com as relações de propriedade no seio das quais se tinham movido até então. De formas de desenvolvimento das forças produtivas estas relações transformam-se no seu entrave. Surge então uma época de revolução social. A transformação da base econômica altera, mais ou menos rapidamente, toda a imensa superestrutura. Ao considerar tais alterações é necessário sempre distinguir entre a alteração material – que se pode comprovar de maneira cientificamente rigorosa – das condições econômicas de produção, e as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, em resumo, as formas ideológicas pelas quais os homens tomam consciência deste conflito, levando-o às suas últimas consequências. Assim como não se julga um indivíduo pela ideia que ele faz de si próprio, não se poderá julgar uma tal época de transformação pela mesma consciência de si; é preciso, pelo contrário, explicar esta consciência pelas contradições da vida material, pelo conflito que existe entre as forças produtivas sociais e as relações de produção. Uma organização social nunca desaparece antes que se desenvolvam todas as forças produtivas que ela é capaz de conter; nunca relações de produção novas e superiores se lhe substituem antes que as condições materiais de existência destas relações se produzam no próprio seio da velha sociedade. É por isso que a humanidade só levanta os problemas que é capaz de resolver e assim, numa observação atenta, descobrir-se-á que o próprio problema só surgiu quando as condições materiais para o resolver já existiam ou estavam, pelo menos, em vias de aparecer. [...] (MARX, 1977, p. 24-25).


Esta riquíssima passagem porta as conclusões a que Marx e Engels chegaram entre 1857 e 1859. Nosso objetivo nesta disciplina é investigar e acompanhar (1) a crítica dos pressupostos das tradições nas quais Marx e Engels se formam (Idealismo Alemão, socialismo utópico, economia política inglesa, historiografia europeia) e com as quais conversam criticamente e, em movimento de superação, produzem a Concepção Materialista e Dialética da História; assim como (2) as condições históricas em que são produzidos os novos pressupostos que sustentam a Concepção Materialista e Dialética da História como teoria sobre a possibilidade do conhecimento, intervenção e transformação da realidade, na qual, os homens “fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado” (MARX, O 18 de Brumário de Luís Bonaparte, 1852).


Com ousadia interpretativa, podemos dizer que nestes tempos de “crise revolucionária”, em que os homens estão “empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu”, justamente nestes tempos, “os homens conjuram ansiosamente em seu auxílio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar-se nesta linguagem emprestada”. Mas, é apenas quando puderem manejar, “sem apelar para (as vozes do) o passado”, o movimento da história, que os homens terão apreendido os “espírito” da história e poderão “produzir livremente nela”. Apropriar o marxismo – defendemos – é crucial para pensar as saídas para o século XXI, mas não um marxismo estéril, doutrinário! Um marxismo como modo de criticar o real, projetar e promover sua transformação prática.


Em busca desta possibilidade de ação orientada à finalidade de produzir uma nova realidade, urge que apliquemos ao estudo do marxismo o método marxiano e engelsiano de conhecer aquilo que é para conhecer aquilo que pode vir a ser, permitindo-nos dominar o marxismo como instrumento revolucionário de orientação do agir sobre este vir a ser, moldando-o conforme as necessidades revolucionárias. Trata-se, finalmente, da meta de uma ação revolucionária, um trabalho revolucionário que tem como característica figurar “na mente sua construção antes de transformá-la em realidade” (MARX, Processo de trabalho e processo de produzir mais valia, O capital, 1867), o que demanda um profundo domínio sobre aquilo que é a realidade e sobre as leis do seu movimento de modo a apanhar o que ela pode vir a ser. Só ai, estamos prontos para “produzir livremente nela”. Para isto – defendo – é necessário parar de repetir os bordões dos marxismos (conjurar os espíritos do passado), e passar a trabalhar para (a) conhecendo o cerne da teoria, a partir do seu uso, (b) conhecer aquilo que é a realidade e (c) intervindo naquilo que ela pode vir a ser, (d) direcioná-la de acordo com as demandas da classe trabalhadora em direção à revolução do modo capitalista de produção da existência.


Quando Marx nos diz em 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852) que os homens “fazem sua própria história”, mas “não a fazem como querem”, mas a “fazem sob circunstâncias” com as quais se defrontam, que lhe foram “legadas e transmitidas pelo passado”, pelos homens do passado, pela história que os homens do passado fizeram, está nos dizendo que os homens “fazem sua própria história”, mas não a podem dirigir como querem (de acordo com o que lhes passa pelas ideias com que abstraem o mundo real). Para fazer a história produzindo-a livremente, os homens precisam conhecer as determinações da realidade – tudo aquilo que faz a realidade ser aquilo que é – o seu movimento. Os homens precisam conhecer os meios para conhecer e intervir nesta realidade construindo a potencialidade real de modifica-la Só o conhecimento das determinações de aquilo que é esta realidade apanhada em seu movimento e mudança, pode permitir apanhar tendências sobre as quais os homens finalmente operam, praticamente, uma transformação material orientada por finalidades conscientemente construídas.


Marx e Engels nos legaram uma tradição que movimentou-se para muitas direções. O primeiro passo para conhecer esta tradição é conhecer conhecer o pensamento de Marx e Engels. Não falamos de um empreendimento modesto! Desde já, reconhecendo-nos pretenciosos, admitamos apenas iniciar esta tarefa, com a humildade de quem esta aprendendo a reconhecer o que é fundamental nesta importantíssima tradição.


Referências da Aula Inaugural:

ANDERSON, Perry. Considerações sobre o marxismo ocidental. São Paulo: Brasiliense, 1989.

BARATA-MOURA, José. Estudos em torno de Marx. Lisboa: Avante!, 1997.

COSTA NETO, Pedro Leão da. Crítica ao conceito de marxismo ocidental. Crítica Marxista, Campinas, n. 38, p. 9-28.

HOBSBAWM, Erick. Marx e a história. In: ________. Sobre história. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 171-184.

PAULO NETTTO, José. Relendo a teoria marxista da história. SAVIANI, G; LOMBARDI, J. C.; SANFELICE, J. L. (Org.) História e história da educação: o debate teórico-metodológico atual. Campinas, SP: Autores Associados: HISTEDBR, 2000.



Programa:


Unidade I: Concepção Materialista e Dialética da História

Aula 1 – Aula Inaugural – Apresentação do Programa do Curso e indicação das opções teórico-metodológicas norteadoras da proposta.

Aula 2 – 1843 – Marx – Crítica da filosofia do direito de Hegel;

Aula 3 – 1844 – Marx – A questão judaica;

Aula 4 – 1844 – Marx – O trabalho estranhado (Manuscritos);

Aula 5 – 1845 – Marx e Engels – A sagrada família;

Aula 6 – 1847 – Marx – A Miséria da Filosofia;

Aula 7 – 1846/1847 – Feuerbach – A ideologia Alemã – Teses sobre Feuerbach;

Aula 8 – 1848 – Marx e Engels – Manifesto do Partido Comunista

Aula 9 – 1859 – Marx – Contribuição à Crítica da Economia Política;

Aula 10 – 1867 – Marx – O capital (Prefácios; Capítulo 1; Capítulo 5; Capítulo VIII; Capítulo XI; Capítulo XII; Capítulo XIII; Capítulo XXIV).

Aula 11 – 1867 – Marx – O capital (Prefácios; Capítulo 1; Capítulo 5; Capítulo VIII; Capítulo XI; Capítulo XII; Capítulo XIII; Capítulo XXIV).

Aula 12 – 1877 – Engels – Anti Duhring;

Aula 13 – 1878-1882 – Engels – Dialética da Natureza;

Aula 14 – 1880 – Engels – Do socialismo utópico ao socialismo científico;

Aula 15 – 1886 – Engels – Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã;

Aula 16 – 1908 – Lenin – Materialismo e Empiriocriticismo


Referências Bibliográficas:


BARATA-MOURA, J. Uma introdução a Zur Judenfrage de Karl Marx. In: MARX, K. Para a questão judaica. Lisboa, Pt: Avante!, 1997.

BARATA-MOURA, J. Materialismo e subjetividade: estudos em torno de Marx. Lisboa: Avante!, 1997.

BARATA-MOURA, J. Marx e a crítica à escola histórica do direito. Lisboa: Editorial Caminho, 1994.

DANGEVILLE, Roger. Marx e Engels: Crítica da Educação e do ensino. Editora Moraes: s/i, s/d.

ENGELS, F. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

ENGELS, F. A Origem da família, da propriedade privada e do Estado. São Paulo: Expressão Popular, 2010.

ENGELS, F. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. São Paulo: Boitempo, 2008.

ENGELS, F. Anti-Duhring. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

ENGELS, F. Dialética da natureza. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

ENGELS, F. Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã. São Paulo: Alfa Omega, s/d.

ENGELS, F. Origem da família, da propriedade privada e do Estado. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995.

ENGELS, F. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. São Paulo: Boitempo, 2008.

LENIN, V. I. Materialismo e empiriocriticismo. São Paulo: Mandacaru, 1990.

MARX, K; ENEGLS, F. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

MARX, K; ENGELS, F. A sagrada família. São Paulo: Boitempo, 2003.

MARX, K; ENGELS, F. Marxist Internet Archives: Seção em Português. Disponível em: http://www.marxists.org/portugues/marx/index.htm Acesso em 10/05/2012

MARX, K; ENGELS, F. Obras Escolhidas. São Paulo: Alfa Omega, s/d.

MARX, K. A miséria da filosofia. São Paulo: Global, 1985.

MARX, K. Crítica da filosofia do direito de Hegel. São Paulo: Boitempo, 2005.

MARX, K. Grundrisse. São Paulo: Boitempo, 2011.

MARX, K. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004.

MARX, K. Miséria da Filosofia. São Paulo: Expressão Popular, 2009.

MARX, K. Sobre a questão judaica. São Paulo: Boitempo, 2010.


[1] “Em 1842-1843, na qualidade de redator da Reinische Zeitung, encontrei-me pela primeira fez na obrigação embaraçosa de dar minha opinião sobre o que é costume chamar-se interesses materiais. As deliberações do Landtag renano sobre os roubos de lenha e a divisão da propriedade imobiliária, a polêmica oficial que o Sr. Von Schaper, então primeiro presidente da província renana, sustentou com a Reinische Zeitung sobre a situação dos camponeses do Mosela e, finalmente, os debates sobre o livre-câmbio e o protecionismo, forneceram-me as primeiras razões para me ocupar das questões econômicas. Por outro lado, nesta época em que o desejo de “ir para frente” substituía frequentemente a competência, fez-se ouvir na Reinische Zeitung um eco do socialismo e do comunismo francês, ligeiramente contaminado de filosofia. Pronunciei-me contra este trabalho de aprendiz, mas ao mesmo tempo confessei abertamente, numa controvérsia com a Allgemeine Augsburguer Zeitung, que os estudos que tinha feito até então não me permitiam arriscar qualquer juízo sobre o teor das tendências francesas. Aproveitando a ilusão dos diretores da Reinische Zeitung, que julgavam poder suspender a sentença de morte proferida contra o jornal, dando-lhe um caráter mais moderado, preferi deixar o cenário público e retirar-me para o meu gabinete de estudo” (MARX, 1977, p. 23-27). [2] “Examino pela ordem seguinte o sistema da economia burguesa: capital, propriedade fundiária, trabalho assalariado; Estado, comércio externo, mercado mundial. Nos três primeiros tópicos estudo as condições econômicas de existência das três grandes classes em que se divide a sociedade burguesa moderna; a ligação das três restantes é evidente. A primeira seção do livro primeiro, que trata do capital, subdivide-se nos seguintes capítulos: 1o a mercadoria; 2o a moeda ou a circulaçãoo simples; 3o o capital em geral. Os dois primeiros capítulos formam o conteúdo do presente volume” (MARX, 1977, p. 23-27). [3] “Friedrich Engels, com quem, desde a publicação do seu genial esboço de uma contribuição para a crítica das categorias econômicas nos Deutsch-Französische Jarbücher, tenho mantido por escrito uma constante troca de ideias, chegou por outras vias (confrontar a sua Situação da Classes Operárias na Inglaterra) ao mesmo resultado, e quando, na primavera de 1845, veio se estabelecer também em Bruxelas, resolvemos trabalhar em conjunto, a fim de esclarecer o antagonismo existente entre a nossa maneira de ver e a concepção ideológica da filosofia alemã; tratava-se, de fato, de um ajuste de contas com a nossa consciência filosófica anterior. Este projeto foi realizado sob a forma de uma crítica da filosofia pós-hegeliana. O manuscrito, dois grandes volumes in-octavo, estava há muito no editor na Vestefália, quando soubemos que novas circunstâncias não permitiam a sua impressão. De bom grado abandonamos o manuscrito à crítica corrosiva dos ratos, tanto mais que tínhamos atingido o nosso fim principal, que era enxergar claramente as nossas ideias (MARX, 1977, p. 23-27). [4] Enquanto investigadores disciplinados, Marx e Engels nos legam um conjunto de registros de suas investigações que vêm sendo publicados no original, em alemão, e, para a língua latina, dispomos de edições em português e espanhol. Marx-Engels-Gesamtausgabe (MEGA) é a mais complete coleção das obras publicadas, manuscritos de estudos e cartas escritas por Karl Marx and Friedrich Engels, publicada com textos em alemão e em outras línguas nas quais os autores escreveram. A coleção é publicada por Karl Dietz Verlag Berlin lançada em 1958. É possível encontrar algumas destas obras nas mais variadas traduções no Marxist Internet Archive (Disponível em: http://www.marxistsfr.org/ Acesso em 17/11/2016 às 05h10). Em língua espanhola, temos uma coleção em XXII volumes publicada pela Editora Fondo de Cultura Económica, México, a partir de 1982. Em português (do Brasil e de Portugal) estamos trabalhando com as edições “Avante!”, Progresso Moscou, Alfa Omega, Abril Cultural, Martins Fontes, Global Editora, Civilização Brasileira/Bertrand Brasil/Difel, e, desde 1998, Edições Boitempo. [5] Diversos comentadores de Marx e de Engels destacam as “Três Fontes” – expressão clássica a partir de Lenin (1978) – do marxismo. Florestan Fernandes, entretanto, questiona a ausência de referência à crítica da historiografia contemporânea a Marx e Engels: “As abordagens que tratam da evolução do pensamento de Marx e Engels, mesmo de autores reconhecidamente marxistas, põem ênfase nos aspectos intelectuais dessa evolução (a fase hegeliana, o neo-hegelianismo, o “humanismo realista” feuerbachiano, o contato com o socialismo francês e a economia política inglesa, o produto final: a elaboração, por ambos, do materialismo histórico e dialético, como uma forma intelectual de superação e síntese). Seria possível agregar outras coisas a esse complexo e amplo mural. Por exemplo, por que certos historiadores, principalmente franceses e ingleses no início, não são lembrados entre as influências formativas” (FERNANDES, 1989, p. 18).

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