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Blog Crítica Prática

MULHERES TRABALHADORAS: ANÁLISE DE CONJUNTURA: Femenagem a Carolina de Jesus e Marielle Franco

A CONJUNTURA EM IMAGENS NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO HOJE, GUERRA HÍBRIDA, E OS DESAFIOS PARA AS MULHERES NA LUTA DE CLASSES!

Boa noite ao Ateliê de Estética Marxista e ao Coletivo de Mulheres do LEMARX, a quem agradeço a oportunidade e a honra deste convite, às companheiras de mesa Maíra Machado, Vera Lúcia e Sandra Siqueira, com as quais enfrento o desafio de avaliar a complexa conjuntura em que vivemos hoje e a todos os que nos acompanham nesta jornada.

Começo por dizer que espero estar à altura do convite feito pelas camaradas de participar desta femenagem[1] a duas grandes mulheres, Marielle Franco e Carolina Maria de Jesus. Marielle que passamos a conhecer no Brasil e no mundo, após seu assassinato pelas milícias, que revelou a sua luta contra as milícias e a violência da polícia nas comunidades do Rio de Janeiro. Carolina Maria de Jesus, que nos lega o registro da luta das mulheres para produzir a existência própria e dos filhos e pensar e elaborar por escrito esta existência. A luta pelo direito de acesso aos caminhos que possibilitam entender o mundo e contribuir para transformá-lo conscientemente!

Esta femenagem, que ocorre num evento que tem como chamada central a necessidade de “politizar nossas dores” e nos chama a pensar sobre o “papel das mulheres trabalhadoras na luta de classes” nos remete à reivindicação de um laço de fidelidade entre nós mulheres trabalhadoras, em respeito ao que temos em comum: a luta para superar um processo de formação marcado por uma determinação de papéis a partir da ótica do macho!

Num evento organizado por um ateliê de estética marxista, peço licença para abrir minha fala, com a memória (memória, por que não tenho tempo suficiente para cantá-los) de dois poemas que me marcaram muito nos últimos 5 anos, e que falam da condição feminina que eu vi e vivi toda a vida, mas sobre a qual fui chamada a refletir muito recentemente, encontrando-me na posição de aprendiz.

Refiro-me a “Triste, louca ou má[2] e “Amiga me ajude[3]

Nos dois casos, está em questão a quebra das cadeias que nos oprimem da qual faz parte o machismo. Mas, no primeiro caso, a saída é solitária e a ruptura gera o isolamento e a solidão, sendo definida pelo estigma “desatinou”, enlouqueceu, rompeu os grilhões, mas “vai viver só”, fechando numa perspectiva individualista e liberal, que reforça a lógica do machismo.

É no segundo caso que o aspecto revolucionário surge com força num chamado à ação coletiva “Companheira me ajude, eu não posso andar só, eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor”, recordando uma tradição que quero reivindicar: a formação para a ação coletiva numa perspectiva classista, base do socialismo científico. Uma tradição que exige uma correta avaliação do estágio de desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção que produzem o machismo como arma de contenção da potencialidade revolucionária das mulheres. A luta organizada das mulheres do Brasil e da América Latina contra a reação conservadora evidencia que a saída desta conjuntura (como em 1917 na Rússia), passa pela organização classista das mulheres. E o movimento que visa alimentar esta direção exige que analisemos o estágio de desenvolvimento das forças produtivas, a correlação de forças em que nos movemos, e a partir desta análise, compreendamos as tendências em curso e nossas possibilidades de intervenção. Feita esta nota mais geral com a qual espero ter destacado a importância desta mesa e como este convite me toca particularmente.

É necessário pontuar também, entretanto, que entro nesta mesa como Professora da FACED, que reivindica o materialismo histórico-dialético (a partir de Marx e Engels) e compõe as fileiras do Partido Comunista Brasileiro como militante. Esta mesa ocorre no instante em que nos mobilizamos par a comemoração dos 100 anos da nossa organização política, o que só aumenta minha responsabilidade, face a longa trajetória desta organização na história da classe trabalhadora brasileira, da juventude trabalhadora e das mulheres. Neste último aspecto, tenho a tarefa de representar o acúmulo de lutadoras como Ana Montenegro, Maria Aragão, Laudelina Campos, Patrícia Galvão, Arcelina Mochel, Iracema Ribeiro, Zuleika Alambert, Maria Brandão dos Reis, Jacinta Passos, Zuleide Melo entre outras. Um acúmulo que poderia ser representado pela camarada Sofia Manzano[4[, professora da UESB e nossa pré-candidata à presidência, ou ainda as camaradas Ana Karen Oliveira e Marcia Lemos, que compõem o nosso coletivo Feminista Classista Ana Montenegro e o nosso coletivo sindical Unidade Classista. No limite de não possuir o acúmulo que possuem aquelas camaradas, tenho a tarefa de produzir um caminho de análise que considere as posições públicas da minha organização política e os processos pelos quais tenho procurado pensar por mim mesma.

Feitas estas considerações, passo à tarefa que temos em mãos.

A Conjuntura por traz da imagem:


Preparando minha fala para esta mesa, fiz uma busca no noticiário com a expressão “o mundo hoje”, e encontrei esta imagem que resolvi tomar como ponto de partida para a leitura do estágio de desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção internacionais. Esta foto belíssima constitui todo um processo de síntese narrativa acerca doo conflito mundial, cuja ponta do iceberg é a guerra na Ucrânia, acontecimento marcante a que devemos dar atenção enquanto indicador de movimentos internacionais que impactam a nossa existência na formação social brasileira.


[5]



Imediatamente me veio à memória uma posição assumida por Marx em relação à personificação:


Minha concepção do desenvolvimento da formação econômico-social como um processo histórico-natural exclui, mais do que qualquer outra, a responsabilidade do indivíduo por relações, das quais ele continua sendo, socialmente, criatura, por mais que, subjetivamente, se julgue acima delas (Karl MARX, Prefácio à 1ª Edição de O Capital, 1867, Bertrand Brasil, 1989, p. 6).


Na imagem que selecionei, Vladmir Putin surge como a personificação do mal que se abate sobre o mundo! Visa convencer o senso comum que o mal da Rússia é Putnin e que superando Putnin, a Rússia e a Ucrânia constituirão relações internacionais melhores e o mundo conquistará finalmente a paz. A imagem é mais uma peça de uma poderosa guerra híbrida na qual a ocultação da história e a falsificação ou leitura enviesada e unilateral dos fatos compõe o processo de combate de um tipo de imperialismo em crise em luta contra o seu contrário em processo de afloramento. A história desta guerra híbrida acompanha a história do desenvolvimentos dos meios de comunicação de massa, particularmente, o desenvolvimento do cinema e do desenho animado americano, com uma programação sistemática de criminalização dos povos do oriente, particularmente os árabes, os chineses, os russos, os indianos, expandindo-se para os sul-americanos, contribuindo profundamente para todo o processo de xenofobia com que territórios ricos evitam os imigrantes pobres que a eles recorrem vindos de todo o mundo, tornando-se um sério problema ante à redução do emprego em decorrência do desinvestimento e da desindustrialização que acompanham a concentração e a centralização de capitais que ocorrem no ciclo avançado da financeirização!

Em perspectiva materialista e dialética a questão por traz da imagem de Putin é bem mais complexa e exigente, e remetendo-se à Revolução de 1917 e ao reordenamento do mundo após a vitória esmagadora dos EUA sobre o Japão em Hiroshima e Nagazaki entre 06 e 09.08.1945 (com uma estimativa de mortos de cerca de 250 mil pessoas, fora o impacto sobre fauna e Flora em terra e mar nos 4 primeiros meses do lançamento destas bombas só no Japão)[6].

Este acontecimento determina o fim da 2ª Guerra Mundial e abre o ciclo seguinte que ficou conhecido em todo o mundo como Guerra Fria. Neste ciclo, a partilha do mundo resta garantida por duas potências bélicas que possuíam juntas a capacidade atômica de destruir o planeta (um ciclo a que Eric Hobsbawm chamou de Era dos Extremos, e dividiu o mundo entre Bloco capitalista e Comunista). Neste ciclo, a partilha econômica das riquezas dos vencidos se fez em acordos diversos, entre os quais, conhecemos a OTAN (organização do Tratado do Atlântico Norte)[7], tendo como poderoso e influente dirigente máximo os EUA.


Países membros da OTAN.[8]



Em contraposição à aliança entre os países que conformam a OTAN, em 14 de maio de 1955 firma-se o Pacto de Varsóvia, estabelecendo-se ‘[...] uma aliança entre os países socialistas do leste europeu (Hungria, Romênia, Alemanha Oriental, Albânia, Bulgária, Tchecoslováquia e Polônia) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)” um “Estado multinacional socialista que existiu de 1922 até 1991” [9].



Países membros do OTV ou Pacto de Varsóvia[10]


O acontecimento que marca o fim da Guerra Fria, é justamente a vitória total do capitalismo sobre o bloco comunista, expresso com a queda do Leste Europeu, cujos acontecimentos marcantes foram a perestroika[11] e a derrubada do Muro de Berlim. Em tese, as razões da existência da OTAN (a existência de um ameaçador bloco comunista), teria deixado de existir.

Entretanto, se a queda do muro na Alemanha significou a dominância do capitalismo, uma contradição resta em pé e anda com as próprias pernas: há capitalismo em Rússia e China, mas seria precipitado e mesmo equivocado afirmar o controle Norte Americano sobre o capitalismo que se desenvolve naqueles países. Se até os anos 70 os EUA permaneceram como o exemplo mais desenvolvido do capitalismo e o centro do comando sobre a sua direção, a partir dos anos 70, ao mesmo tempo em que cai o Leste, cai a centralidade dos Estados Nação e avança a chamada globalização econômica (projetada e executada pelos defensores do neoliberalismo) que vai rompendo as fronteiras geopolíticas. Uma reconfiguração econômica do mundo ocorre, expandindo-se as megacorporações com total liberdade de circulação dos capitais e instalação dos seus parques produtivos onde abundassem mão de obra e matéria prima. Este ciclo de acumulação e centralização de capitais encontra-se em um curioso movimento de transformação no qual países de fora da OTAN vem crescendo economicamente.

Na síntese que tornamos pública em nossa nota política, a partir da crise de 2008, e particularmente, o “fortalecimento da presença internacional chinesa”, emergem “contradições no interior do bloco imperialista ocidental” com o “progressivo declínio dos EUA como potência absoluta”[12]. Entre os movimentos que evidenciam este declínio em processo, destacamos (i) o fortalecimento da presença internacional chinesa e a crescente ascensão da China como potência econômica; (ii) fortalecimento de negociações econômicas entre Rússia e Europa em torno do comércio de gás e do gasoduto Nordstream; (iii) campanha contra a China em torno das origens do Coronavírus, com apoio do genocida Bolsonaro; (iv) acordos de cooperação econômica, política e bélica entre China e Rússia com a finalidade de fortalecimento mútuo e em reação ao acordo Aukus firmado entre EUA, Australia e Reino Unido, além (v) de escaramuças americanas no mar da China. Estas, entre outras movimentações devem nos precaver contra leituras que tratem relações internacionais na perspectiva do individualismo burguês, quando as nações são tomadas de forma isolada, desprezando-se os nexos históricos com os continentes em que sua existência se inscreve que determinam a possibilidade de sua autodeterminação. Em nenhum momento da história da delimitação das fronteiras dos Estados Nação que se formam até os anos 40 do século XX, e que permanecem em movimento nos incessáveis conflitos bélicos pelo mundo, podemos afirmar a possibilidade de autodeterminação de qualquer nação, assim como, sob nenhuma hipótese na atualidade, podemos compreender a luta de classes no interior de uma formação social sem considerarmos as relações internacionais que determinam a economia política de qualquer nação.

É neste contexto de despregamento do centralismo americano na economia mundial que surge a aliança BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) como uma das expressões dos esforços de constituição de um bloco de apoio mútuo de países do cone sul para defesa dos seus interesses político-econômicos, prevendo, inclusive, a constituição de um banco próprio. Com relação à conjuntura mundial, considero este processo determinante da crise política que levou à derrocada do Governo Dilma e à ascensão de Jair Bolsonaro.



Países Membros dos BRIC’s [13]


Os atentos às pistas deixadas pela imprensa oficial acerca do movimento dos capitais no mundo e do trabalho dos EUA de controlar as relações de produção capitalistas, acompanharam as notícias sobre o trânsito dos navios americanos nos mares do Oriente, sob o argumento de apoio a países em conflitos locais. Este (1) passeio ostensivo em tom de ameaça da potência bélica e econômica que visava colocar no seu lugar histórico as potências re-ascendentes (especialmente China e Rússia) pós derrocada do leste Europeu; encontra-se acompanhado de (2) táticas para insuflar as populações locais contra seus dirigentes e para (3) insuflar territórios em conflito contra as nações que ocupam territórios estrategicamente relevantes para os EUA, com potencial econômico (de modo geral energético) ou posicionamento estratégico em uma eterna implantação de bases militares em todo o mundo; (4) apoio ao desenvolvimento de milícias nestes territórios, via financiamento e armamento destes grupos; (5) solução de conflitos político-econômicos com o apoio de milícias armadas americanas (o cinema americano é profícuo na divulgação deste tipo de tática)[14]. É preciso prestar atenção a este aspecto do imperialismo americano (que Iasi vai chamar claramente de terrorismo), porque ele pode estar em movimento no Brasil neste momento, sendo uma tendência cujos impactos temos que avaliar com muito cuidado.

Constitui o jogo das peças no tabuleiro das relações internacionais o chamado AUKUS, um pacto militar firmado em 16.09.2021 entre Estados Unidos, Reino Unido e Austrália que visa conter o que chamam de “[...] crescente presença militar da China na região do Indo-Pacífico” e permite à Austrália construir submarinos nucleares com tecnologia americana[15]. As movimentações bélicas americanas e chinesas no Mar da China Meridional, em torno de Taiwan e das Filipinas, foram anunciadas durante todo o ano de 2021[16]. Estas pressões dos EUA e da OTAN sobre China e Rússia levaram a estes dois últimos a firmar em 04.02.2022 uma aliança política, econômica e militar “[...] contra uma expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), desafiando a influência global dos Estados Unidos”, em uma declaração conjunta, anunciam que “[...] sua nova relação é superior a qualquer aliança militar da era da Guerra Fria e pediram o fim da expansão da OTAN para o Leste Europeu”, o fim da interferência da OTAN sobre Taiwan e Ucrânia que ameaçam à segurança regional [17].

É nesta correlação de forças que ocorre a Guerra na Ucrânia que, defende a declaração política do PCB, reflete “[...] o esgotamento das tratativas diplomáticas de resolução do conflito que envolve Rússia e Ucrânia e que tem, como razão primeira, a anunciada possibilidade de ingresso da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN –, o que colocaria em risco a segurança da Rússia, como alega o governo desse país”[18]. A crise mais recente foi deflagrada com “[...] um golpe realizado naquele País, na esteira das chamadas revoluções coloridas, que transformou a Ucrânia num posto avançado dos interesses do imperialismo estadunidense” [19]. O seu pano de fundo é “[...] a pressão que vem sendo exercida pelo governo dos Estados Unidos junto aos países que compõem a OTAN para expandir essa organização militar aos países situados nas fronteiras russas, como a Ucrânia, e que desde a queda da URSS já está presente [em] 14 países da região, com a clara intenção de cercar militarmente a Rússia, conter o fortalecimento internacional do bloco China-Rússia, que vem se constituindo como um claro contraponto aos interesses do imperialismo estadunidense e seus aliados e sabotar o gasoduto Nordstream2”. Observe-se que “A entrada da Ucrânia na OTAN traria a possibilidade da instalação, nesse país, de mísseis de médio alcance com ogivas nucleares, o que é inaceitável para a Rússia, pois colocaria em risco [...] a sua segurança estratégica”. Naquela perspectiva de reconhecer o estágio do desenvolvimento das disputas pelas forças produtivas, reconhecemos que está em disputa o “[...] controle dos recursos naturais e dos mercados euroasiáticos”. Além disso, há evidente tentativa dos EUA de “[...] manter a supremacia global estadunidense, forjada ao longo da chamada Guerra Fria”. Na síntese de nota pública acerca da conjuntura divulgada pelo PCB:

Cinicamente, mesmo com tantos atos de guerra e sabotagem à paz mundial, os Estados Unidos imputam exclusivamente à Rússia a responsabilidade pelo belicismo na região – isso a despeito das inúmeras guerras deflagradas pelo imperialismo estadunidense e seus aliados nos últimos tempos: os casos dos ataques ao Afeganistão, à Líbia, Iraque e Síria são apenas alguns dos exemplos das guerras de rapina recentes promovidas por esse bloco para a garantia de seus interesses políticos e econômicos no mundo. O fim da União Soviética já teria sido suficiente para a extinção da OTAN, mas o que se tem observado é o avanço belicista do imperialismo estadunidense que, com sua fraseologia hipócrita sobre a paz, mantém mais de 700 de bases militares em praticamente todos os continentes, inclusive na América Latina, além de estruturas de inteligência ativas por todo o mundo.[20]

Um estudo das exigências da Rússia evidencia a natureza do conflito: o impedimento de que a Ucrânia constitua blocos alinhados à OTAN; o cessar fogo e o fim da intervenção da Ucrânia no território do Donbass (República Popular Donetsk e República Popular Lugansk) que reivindica o direito de autodeterminação e o vínculo com a Rússia; reconhecer a Criméia como território russo. A posição do PCB em relação à crise entre Rússia e Ucrania evidencia a leitura que fazemos dos conflitos naquela região:

A Rússia de hoje não é a antiga União Soviética socialista, cujo fim pôs por terra as muitas e profundas conquistas dos trabalhadores soviéticos. A Rússia é, hoje, um país capitalista, cujo governo atual tem pretensões expansionistas e exerce forte repressão interna aos movimentos dos trabalhadores. A Ucrânia, após a extinção da URSS, se desindustrializou e vive um quadro de pobreza crescente. Sua economia se baseia em grandes grupos privados oligopolistas e seu governo atual tem viés neofascista, que incentiva um sentimento nacionalista anti-Rússia. O governo atual, de Zelensky, é sucessor da derrubada, em 2014, por um golpe de inspiração fascista, do presidente Yanukovitch, que buscava fortalecer os laços políticos e econômicos com a Rússia, e do governo seguinte, de Poroshenko, um empresário fascista e corrupto. Há, no país, forte presença de grupos fascistas ativos e forte repressão contra os sindicatos e os comunistas. A população de origem russa é discriminada e o governo realiza frequentes ações militares contra a população insurreta da região do Donbass[21].

Uma leitura correta da Guerra como uma disputa intercapitalista leva à uma orientação internacionalista e classista para a classe trabalhadora:

Os interesses das burguesias estadunidense e russa são evidentes nessa luta pela partilha do mundo capitalista e a guerra não interessa aos trabalhadores. Denunciamos as ações do imperialismo estadunidense, que atirou a região nas mãos do fascismo e da reação, com o objetivo de consolidar sua influência global. Conclamamos os trabalhadores dos países membros da OTAN a lutar pela saída de seus países dessa aliança inter-imperialista para a partilha do mundo: sem a dissolução da OTAN, um futuro de paz para toda a humanidade mundial é inconcebível.
A única solução para esse conflito, cuja escalada está longe de terminar, passa pela luta independente da classe trabalhadora mundial contra o imperialismo dos EUA, da OTAN e do sistema capitalista. Nenhuma burguesia de nenhuma nação trará aos explorados e oprimidos do mundo a paz. Acima de tudo, apontamos para a necessidade da classe trabalhadora ucraniana organizar-se para liquidar de uma vez o regime neofascista e estabelecer no país um Poder Popular, tomando em suas próprias mãos a iniciativa na luta por uma Ucrânia autodeterminada e socialista, avessa a todo tipo de intervenção burguesa estrangeira! Reforçamos ainda a importância da unidade dos trabalhadores russos e ucranianos para a superação do capitalismo e a construção do socialismo em seus países, e dos trabalhadores de todos os países para seguirem no rumo da revolução socialista em todo o mundo[22].

Crise do capitalismo


A crise estrutural deste modo de organização da produção da existência é evidente. Expressa-se nas profundas transformações nas forças produtivas e nas relações de produção.

No âmbito das forças produtivas o avanço da informática e da robótica na produção industrial e agrícola possibilita um ciclo de superprodução que entra em contradição com o esgotamento dos recursos naturais e as sucessivas reestruturações produtivas que rebaixam continuamente as vagas disponíveis, os salários e a capacidade de consumo da classe trabalhadora. As quedas de lucros na produção, levam a processos de especulação financeira, concentração e centralização dos capitais em voraz procura por margens elevadas de lucro e fluxo rápido para setores mais lucrativos. Ocorre retração dos investimentos nos setores produtivos, perda estrutural de postos de trabalho e desemprego em larga escala encoberto por manobras conceituais e estatísticas.

A especulação fortalece o papel das comodities, ocorrendo uma agressiva e acelerada expansão da indústria extrativista e da produção industrializada de grãos em larga escala assentada em sobrecarga de fertilizantes e defensivos agrícolas, e da pesca predatória que resultam em devastação da Terra[23]. A expressão ambiental destes processos produtivos evidencia-se nas profundas transformações climáticas (alterações nos períodos das estações ao longo do ano, crescentes ondas de calor ou de frio, degelo das calotas polares, aumento da temperatura dos oceanos, morte de corais e manguezais que cumprem importante papel de renovação da vida, ciclos de intensas chuvas ou secas), nos sucessivos desastres ambientais (rompimentos de barragens, deslizamentos de terra, tsunamis, terremotos, erupções vulcânicas) assim como na intensificação das pandemias, como as recentes H1N1 e Coronavírus que nos levou ao primeiro momento de isolamento social em todo o mundo.

A crise estrutural com particular expressão na redução das taxas de acumulação, expressa-se principalmente nos processos de reestruturação produtiva que promovem retração da indústria, desemprego e expulsão de volumosa massa de força de trabalho do mercado, quebra das organizações trabalhistas e agravamentos da retirada de direitos. Sucede-se um ciclo de profunda instabilidade política decorrente do agravamento da crise social que avança com o aprofundamento e expansão da miséria dos trabalhadores em todo o mundo. Esta intensa crise social, que ocorre no vácuo do ciclo de ataque às organizações dos trabalhadores, cooptação das lideranças políticas e apassivamento, tem sido respondida com o recuo para as formas mais perigosas de conservadorismo, de ideologias fascistas e de xenofobia que tem levado ao poder político governos extremistas de direita em todo o mundo. Temos que dar atenção a este movimento, especialmente, porque ele me parece determinante nos rumos das políticas para a educação pública. Quando uma imensa massa de trabalhadores é jogada ao desalento, evidencia-se o desinteresse desta imensa massa em termos de formação para o trabalho. Está em questão o esgotamento dos sistemas públicos de educação que, na perspectiva liberal, deve ser garantida mediante relações de troca direta entre proprietários de corporações educacionais e empreendedores de sua auto-formação. Observe-se que após os anos 60 do século XX, uma progressiva negação da razão, da ciência e da verdade vai reconfigurando o papel da escola, que longe de disseminar e cobrar pela apropriação do conhecimento científico, passa a ter a tarefa de promover a acolhida aos marginalizados e mais recentemente, a tarefa de adaptar para a flexibilização do acesso ao trabalho. Aqui está ocorrendo uma profunda, silenciosa e lenta reestruturação que impacta a vida de mais de dois milhões de professores no Brasil, em sua maioria, mulheres. A EC 95 foi pensada para estrangular a ocupação do Estado com as políticas sociais e manteve-se intocada no processo pandêmico, o que, ao contrário das previsões, reforça que a gestão ultraliberal do capitalismo permanece de pé. O estudo das alianças (Todos pela educação) em torno da gestão da educação pública pelos interesses privados evidencia as tendências em relação às políticas educacionais, em direção ao controle ideológico desta massa de trabalhadores colocados fora do mercado de força de trabalho. Já aprendemos que a crise do capital custa muito caro para a classe trabalhadora, particularmente, para a classe trabalhadora feminina! O capitalismo vai produzindo mecanismos que possibilitam ao capital fluir livremente por territórios nos quais pode operar sem restrições[24] quanto (i) ao lugar em que quer investir, (ii) ao momento que considera mais oportuno para fazê-lo, assim como (iii) ao momento mais adequado para desprender-se dos investimentos que considera de baixo retorno e desvantajosos.[25] Grita-se “crise!” e os cofres públicos são arrombados[iii] para o socorro aos capitalistas, bandidos para os quais não há polícia, repressão e encarceramento! A cada susto dos capitais no mercado financeiro, povos de todos os recantos são empurrados para os abismos sem fim do rebaixamento salarial[26], desemprego[27], endividamento[28], repressão, miséria e fome[29], sem qualquer proteção social. Com a ajuda do Estado, o controle dos insatisfeitos e das saídas “fora da legalidade” está garantido nas mãos dos exércitos[30], das polícias[31]e das milícias[32], enquanto toda a riqueza segue canalizada e concentrada[33] por um pequeno segmento da humanidade que assiste silenciosa ao genocídio (por fome, adoecimento e guerra) de massas de trabalhadores nas Américas e na África.

As expressões da crise do capitalismo na formação social brasileira:


Subordinando-se aos interesses dos grandes capitais, a direção de destruição da economia nacional da política econômica do Governo Bolsonaro/Paulo Guedes/Militares evidencia-se com a queda do Brasil à condição de 26ª[34] colocação no ranking global de desempenho econômico, grave retração da indústria e crescimento vertiginoso do desemprego e da fome. Matéria do Jornal Brasil de Fato revelou em 9 de junho de 2020 um recuo de 18,8% na indústria, atribuído à pandemia, destacando, entretanto, que “o problema da indústria é anterior a isso” e que a “participação das atividades industriais no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vem apresentando decréscimos alternados desde a década de 1990, mas que se intensificaram desde 2016”[35]. Em 5 de maio de 2021, a Agência IBGE noticiou a queda[36] da produção industrial em 2,4% em março, naquele que foi o segundo mês seguido de retração, refletindo um processo de aposta na produção e exportação de commodities que revela a política econômica majoritária desde os anos 1990, assim como as classes hegemônicas por trás do Governo Bolsonaro: latifundiários do agronegócio e mineradoras.

Essa retração industrial também é determinada pela profunda crise estrutural do capitalismo que procura recuperar na financeirização as taxas de lucros que já não consegue mais manter na esfera produtiva[37]. Todo o processo de desemprego e reforma trabalhista origina-se nessa perversa lógica de centralização e concentração da riqueza, mostrando que o capital pode se dar ao luxo de descartar força de trabalho e não tem qualquer pudor de escolher quem cumpra a tarefa de fazê-lo – ainda mais quando tem como fundamento a expansão da indústria bélica[38]. É aqui que o bolsonarismo assume projeção, no vácuo deixado pelo ciclo de apassivamento da classe trabalhadora e abandono da sua organização em perspectiva classista e anticapitalista.

O movimento sindical em um país continental é desafiante! A existência de 10 Centrais Sindicais (CUT[39], FS[40], UGT[41], CTB[42], CGTB[43], NCST[44], CSB[45], Intersindical[46], PCS[47], CSP – Conlutas[48]) evidencia a profunda divisão do movimento dos trabalhadores em um leque de concepções sindicais tão diverso quanto o leque partidário, refletindo a diversidade de horizontes que se apresentam como alternativa aos trabalhadores. Esta divisão se expressa também na tática para derrotar o projeto genocida do governo Bolsonaro A agenda central de algumas dessas entidades inclui denunciar as várias faces do massacre da força de trabalho no Brasil e organizá-la para o enfrentamento desta conjuntura, mas muitas estão totalmente voltadas às eleições de 2022, disputando o lugar de mais eficientes gestores de uma economia em crise[49]. Esses setores não têm interesse em conter Bolsonaro, mas apenas desgastá-lo para uma derrota nas urnas.

Em que pese este perigoso desvio de foco, os setores que lutam pela reorganização da classe trabalhadora avançaram no desafio de mobilização. Dados do DIEESE indicam que em 2020 ocorreram 649 greves, e em 2021 502 greves realizadas entre janeiro e setembro. Ao mesmo tempo, foram realizados em sucessivos atos ao longo de 2021 e já em 2022 com o 08.03. Trata-se de greves e marchas de resistência aos ataques do capital, que necessitam do trabalho contínuo de formação e organização. O PCB e seus coletivos têm alertado para a urgência do trabalho de reorganização da classe trabalhadora, para o enfrentamento da hecatombe de ataques promovidos por um capitalismo desenfreado que só pode ser contido pela classe que amarga as cadeias radicais deste sistema produtivo! Só nos resta o caminho de seguir avançando no salto organizativo de 2021, o que se desenha para 2022 com a construção da greve dos SPF.

Deparamo-nos em 2022 com a luta pela superação do Governo Bolsonaro nas eleições, primeiro passo para a superação do bolsonarismo no Brasil. Mas este passo ocorre sob o risco de redução dos nossos horizontes a um projeto de desenvolvimento que subordina os interesses dos trabalhadores ao grande capital. Como defende a candidatura a pré-candidatura de Sofia Manzano, nosso desafio conjuntural é a “[...] a aplicação de um projeto de desenvolvimento anticapitalista [...] que supere todos os problemas estruturais vividos pela classe trabalhadora” brasileira.


O papel das mulheres trabalhadoras na luta de classes


Para o nosso coletivo de mulheres, o Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, resta claro que “[...] a luta pelo fim da exploração da classe trabalhadora, contra a dominação e opressões perpetuadas pelo modo de produção capitalista” contra as mulheres deve ser dirigida pelo

[...] entendimento de que as relações sociais de classe, sexo/gênero e raça/etnia, estão historicamente interligadas ao desenvolvimento do capitalismo, portanto, não podem ser analisadas e compreendidas separadamente.[50].

Nesta direção, reconhecemos que a superação das dores das mulheres – conformadas (i) pela enorme precariedade da vida em decorrência do desemprego, da instabilidade, das reformas trabalhistas, da redução do salário mínimo em relação ao aumento do custo de vida, da carestia, e do agravamento da insegurança habitacional, alimentar e da fome; (ii) pela intensificação da violência contra as mulheres dentro e fora do espaço doméstico, do trabalho e da comunidade, como atestam os índices de feminicídio e os sucessivos casos de mulheres vivendo em situação de trabalho análogo à escravidão e de violência policial; (iii) na perda de filhos, irmãos, primos, tios pais e companheiros para o genocídio dos homens negros que atravessa o território brasileiro em índices alarmantes; (iv) na perda de filhas sequestradas, estupradas ou prostituídas, e no contínuo temor pelo futuro dos seus filhos que lhe são retirados cada vez em idade mais tenra – passa necessariamente por um feminismo que “[...] priorize o recrutamento, a organização e agitação das mulheres trabalhadoras, ombro a ombro com os homens de classe” que contribua para a superação do capitalismo e de todas as violências patriarcais e machistas.

Notas: [1] “ETIM provç. ant. omenatge 'vassalo, homem de armas que deve sua fidelidade ao suserano', ligado ao provç. ome 'homem' e tido como der. do lat. * hominatĭcus 'id.'” Na origem, o termo remete ao “1. juramento de fidelidade, subordinação e respeito do vassalo ao senhor feudal.” Refere-se a “2. expressão ou ato público como mostra de admiração e respeito por alguém.” Refere-se também ao 3. "monumento em h. a notável figura histórica" pode ser uma “3. demonstração de cortesia ou galanteria; deferência.” E na sua versão militar refere-se “4. MILITAR (TERMO)permissão a presos militares de circularem por certa área, sem dela poder sair. "estar preso com h." Disponível em: https://www.google.com/search?q=Etimologia+da+palavra+homenagem&oq=Etimologia+da+palavra+homenagem&aqs=chrome..69i57j0i22i30.6560j1j7&sourceid=chrome&ie=UTF-8 Acesso em: 13.03.2022 10:36 [2] Triste, louca ou má Será qualificada Ela quem recusar Seguir receita tal A receita cultural Do marido, da família Cuida, cuida da rotina Só mesmo, rejeita Bem conhecida receita Quem não sem dores Aceita que tudo deve mudar Que um homem não te define Sua casa não te define Sua carne não te define Você é seu próprio lar Um homem não te define Sua casa não te define Sua carne não te define (você é seu próprio lar) Ela desatinou, desatou nós Vai viver só Ela desatinou, desatou nós Vai viver só Eu não me vejo na palavra Fêmea, alvo de caça Conformada vítima Prefiro queimar o mapa Traçar de novo a estrada Ver cores nas cinzas E a vida reinventar E um homem não me define Minha casa não me define Minha carne não me define Eu sou meu próprio lar E o homem não me define Minha casa não me define Minha carne não me define Eu sou meu próprio lar Ela desatinou, desatou nós Vai viver só Ela desatinou, desatou nós Vai viver só Ela desatinou, desatou nós (e um homem não me define, minha casa não me define) Vai viver só (minha carne não me define) (Eu sou meu próprio lar) Ela desatinou, desatou nós (e um homem não me define) Vai viver só (minha carne não me define) Triste Louca ou má. Compositores: Andrei Martinez Kozyreff / Juliana Strassacapa / Mateo Piracés-Ugarte / Rafael Gomes / Sebastián Piracés-Ugarte Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=lKmYTHgBNoE Acesso em: 13.03.2022 10h00 [3] “Companheira me ajude, eu não posso andar só, eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor” Disponível em: https://www.facebook.com/somostodosfeministas/videos/1643414582608637/?extid=WA-UNK-UNK-UNK-IOS_GK0T-GK1C&ref=sharing Acesso em: 13.03.2022 10:23. Disponível também: https://www.youtube.com/watch?v=CxxujavIiIQ 13.03.2022 11:21.

[4] PCB. “O PCB tem um projeto político de transformação radical”. Entrevista com Sofia Manzano. Disponível em: https://pcb.org.br/portal2/28549 Acesso em: 14.03.2022 02h31.

[5] AMARAL, André. Os mortos de Putin: lista de vítimas do líder russo tem soldados, civis, dissidentes e crianças. Disponível em: https://areferencia.com/europa/os-mortos-de-putin/ Acesso em: 13.03.2022 12h22.

[6] Mauro Iasi, em pequeno vídeo do Blog Café Bolchevique, levanta mais de 200 conflitos promovidos pelos EUA ao longo de sua existência como Nação independente. IASI, Mauro. O militarismo dos EUA e a doutrina do Destino Manifesto. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=xlx2_UhObaw Acesso em: 13.03.2022 12h22.

[7] “Fundada em 1949 em Bruxelas, a Otan é uma aliança intergovernamental comandada pelos Estados Unidos e composta por 30 países, a maioria europeus. A principal prerrogativa do grupo é defender os territórios parceiros em caso de agressões militares causadas por terceiros” DW Política China. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/china-e-r%C3%BAssia-se-unem-contra-expans%C3%A3o-da-otan/a-60664663 Acesso em13.03.2022 20:07.

[8] WIKIPEDIA. Organização do Tratado do Atlântico Norte. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_do_Tratado_do_Atl%C3%A2ntico_Norte Acesso em: 13.03.2022 12h22

[9] WIKIPEDIA. Organização do Tratado de Varsóvia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pacto_de_Vars%C3%B3via Acesso em: 13.03.2022 12h22. [10] WIKIPEDIA. Organização do Tratado de Varsóvia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pacto_de_Vars%C3%B3via Acesso em: 13.03.2022 12h22 [11] WIKIPEDIA. Perestroika. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Perestroika Acesso em: 13.03.2022 22:53.

[12] PCB. Declaração Política sobre a crise militar na Ucrânia. Disponível em: https://pcb.org.br/portal2/28478 Acesso em: 13.03.2022 14h40. [13'] Fonte: WIKIPEDIA. BRICS. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/BRICS Acesso em: 13.03.2022 13h34. [14] Iasi levanta 240 conflitos provocados pelos norte-americanos em todo o mundo desde a sai independência, definindo os EUA como um país terrorista. IASI, Mauro. O militarismo dos EUA e a doutrina do Destino Manifesto. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=xlx2_UhObaw Acesso em: 13.03.2022 12h22 [15] G1. Aukus: o que é o pacto militar anunciado por EUA, Reino Unido e Austrália para conter a China. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/09/16/aukus-o-que-e-o-pacto-militar-anunciado-por-eua-reino-unido-e-australia-para-conter-a-china.ghtml Acesso em: 13.03.2022 20:18. Ver também: DW Política China. China e Rússia se unem contra expansão da OTAN. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/china-e-r%C3%BAssia-se-unem-contra-expans%C3%A3o-da-otan/a-60664663 Acesso em: 13.03.2022 20h00 BBC News. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/09/16/aukus-o-que-e-o-pacto-militar-anunciado-por-eua-reino-unido-e-australia-para-conter-a-china.ghtml Acesso em: 13.03.2022 20:33. [16] CNN Brasil. EUA e China instalam porta-aviões no mar e aumentam tensões. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/eua-e-china-instalam-porta-avioes-no-mar-e-aumentam-tensoes/ Acesso em: Acesso em: 13.03.2022 20h00. [17] DW Política China. China e Rússia se unem contra expansão da OTAN. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/china-e-r%C3%BAssia-se-unem-contra-expans%C3%A3o-da-otan/a-60664663 Acesso em: 13.03.2022 20h00.

[18] PCB. Declaração Política sobre a crise militar na Ucrânia. Disponível em: https://pcb.org.br/portal2/28478 Acesso em: 13.03.2022 14h40. [19] PCB. Declaração Política sobre a crise militar na Ucrânia. Disponível em: https://pcb.org.br/portal2/28478 Acesso em: 13.03.2022 14h40.

[20] PCB. Declaração Política sobre a crise militar na Ucrânia. Disponível em: https://pcb.org.br/portal2/28478 Acesso em: 13.03.2022 14h40. [21] PCB. Declaração Política sobre a crise militar na Ucrânia. Disponível em: https://pcb.org.br/portal2/28478 Acesso em: 13.03.2022 14h40. [22] PCB. Declaração Política sobre a crise militar na Ucrânia. Disponível em: https://pcb.org.br/portal2/28478 Acesso em: 13.03.2022 14h40. [23] Ver documentário “Breaking Boundaries: The Science of Our Planet (Original). Produzido em 2021, dirigido por Jonathan Clay. Duração de 73 minutos. Estados Unidos da América. O documentário reúne análises sobre o colapso da biodiversidade na Terra, com indicadores de pontos de irreversibilidade deste esgotamento.

[24] HARVEY, David. Crise. In: O enigma do capital. São Paulo: Boitempo, 2011. p. 9-40. BRETAS, Tatiana. Capitalismo dependente, neoliberalismo e financeirização das políticas sociais no Brasil. Rio de Janeiro: Consequência, 2020 [25] MOTA, Cláudia. Com R$ 325 bi do BC para o Tesouro, governo reforça prioridade a bancos em tempos de pandemia. RBA – Rede Brasil Atual, São Paulo, 31 ago. 2020. Disponível em: https://www.redebrasilatual.com.br/economia/2020/08/325-bilhoes-bc-governo-prioriza-bancos-pandemia/. Acesso em: 20 maio 2021. DAVID, Diego Franco. Em meio à pandemia, R$ 1,2 trilhão aos bancos. 2020. Disponível: https://sindrede.org.br/em-meio-a-pandemia-r-12-trilhao-aos-bancos-setor-financeiro-e-o-maior-privilegiado-pelo-governo/. Acesso em: 20 maio 2021. CASTRO, Fabrício; GAYER, Eduardo; SILVA, Regina. Guedes reconhece que dinheiro está empoçado nos bancos e sinaliza mais medidas. Estadão Conteúdo, São Paulo, 5 abr. 2020. SOCORRO aos bancos é 11 vezes maior que a população mais pobre. Monitor Mercantil, Rio de Janeiro, São Paulo, 19 mar. 2020. Disponível em: https://monitormercantil.com.br/bancos-recebem-11-vezes-mais-que-populacao-mais-pobre/. Acesso em: 20 maio 2021. FURLAN, Flávio; MOREIRA, Talita. Executivos de bancos temem “freio” a medidas de socorro. 2020. Disponível em: https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/04/26/executivos-de-bancos-temem-freio-a-medidas-de-socorro.ghtml. Acesso em: 20 maio 2020. [26] VASCONCELLOS, Carlos. Bolsonaro deu R$ 1,2 trilhão aos bancos mas reduz salários dos trabalhadores – MP do governo permite que empresas cortem até 70% dos salários dos empregados. 2020. Disponível em: https://www.bancariosrio.org.br/index.php/noticias/item/4423-bolsonaro-deu-r-1-2-trilhao-aos-bancos-mas-quer-cortar-ate-100-dos-salarios-dos-trabalhadores. Acesso em: 20 maio 2021. [27] Dados oficiais disponibilizados na página do IBGE no 4º trimestre de 2020: 13,9 milhões de desocupados; 5,8 milhões de desalentados. IBGE. Desemprego. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/explica/desemprego.php. Acesso em: 20 maio 2021. [28] ABDALA, Vitor. Endividamento de famílias cresce em janeiro e chega a 55,5%. Percentual de inadimplentes atinge 14,8%. Agência Brasil, Rio de Janeiro, 18 fev. 2021. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2021-02/endividamento-de-familias-cresce-em-janeiro-e-chega-665#:~:text=O%20percentual%20de%20fam%C3%ADlias%20endividadas,passado%20(65%2C3%25). Acesso em: 20 maio 2021. IPEA. Comprometimento de renda do brasileiro é caracterizado por dívidas de prazo curto e juro alto. 2019. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=34573&catid=3&Itemid=3. Acesso em: 20 maio 2021. [29] GANDRA, Alana. Pesquisa revela que 19 milhões passaram fome no Brasil no fim de 2020. Agência Brasil, Rio de Janeiro, 6 abr. 2021. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2021-04/pesquisa-revela-que-19-milhoes-passaram-fome-no-brasil-no-fim-de-2020#:~:text=A%20sondagem%20in%C3%A9dita%20estima%20que,coleta%2C%20feita%20em%20dezembro%20de. Acesso em: 20 maio 2021. LIMA, Mário Sérgio. Inflação e pandemia podem empurrar Brasil de volta ao Mapa da Fome. CNN Brasil, [s. l.], 1 abr. 2021. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/2021/04/01/inflacao-e-pandemia-podem-empurrar-brasil-de-volta-ao-mapa-da-fome. Acesso em: 20 maio 2021. [30] “A partir da análise dos dados apresentados, conclui-se que a intervenção federal no Rio de Janeiro não é tão eficiente como prometia o presidente quando do Decreto, em fevereiro desse ano. A proposta da intervenção é atacar os efeitos do crime organizado no Rio de Janeiro para assim diminuir os altos índices de violência, entretanto, a presença do Exército nas ruas apenas coibiu a prática de crimes contra o patrimônio, que muitas vezes são ataques de oportunidade durante o cotidiano urbano, ao passo que a criminalidade organizada, paramilitar, seguiu gerindo seus negócios, e, se preciso fosse, enfrentando o exército.” BIGHETTI, João Vitor de Salvi. A intervenção federal no Rio de Janeiro. Revista Jus Navigandi, Teresina, ano 23, n. 5577, 8 out. 2018. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/69394. Acesso em: 20 maio 2021. s. p. [31] “Nos próximos anos, um dos principais desafios será conseguir diminuir o total de homicídios ocorridos por intervenção policial. Infelizmente, as polícias estão se tornando um dos agentes produtores de mortes. O surgimento de grupos criminosos paramilitares, que estão se fortalecendo no Rio de Janeiro e ameaçam a crescer no resto do Brasil, depende da tolerância da população e das autoridades à violência policial para crescer.” FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Anuário brasileiro de segurança pública. Ano 13, 2019, Disponível em: https://www.forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2019/10/Anuario-2019-FINAL_21.10.19.pdf. Acesso em: 20 maio 2021. s. p. A discriminação racial é flagrante em abordagens da polícia. Em fevereiro, um soldado da PM da Bahia agrediu um adolescente negro de 16 anos com chutes na barriga e socos nas costelas enquanto o revistava no bairro de Paripe, subúrbio ferroviário de Salvador. Na ação, filmada por uma testemunha, o PM ainda profere insultos homofóbicos e racistas contra a vítima, que usava penteado black power. ‘Você para mim é ladrão, vagabundo. Vá tirar essa desgraça desse cabelo’, gritou o agressor durante a abordagem violenta. A testemunha que filmou a cena precisou ser incluída no programa de proteção da Secretaria Nacional de Cidadania do Ministério dos Direitos Humanos após policiais voltarem ao bairro em busca do responsável pelos registros.” PIRES, Breiller. Entre a vida e a morte sob tortura, violência policial se estende por todo o Brasil, blindada pela impunidade. El País, São Paulo, 30 jun. 2020. Disponível: https://brasil.elpais.com/brasil/2020-06-30/entre-a-vida-e-a-morte-sob-tortura-violencia-policial-se-estende-por-todo-o-brasil-blindada-pela-impunidade.html. Acesso em: 20 maio 2021. s. p. MEDO da violência policial e de acusações injustas é maior entre a população negra do Rio. Portal Geledés, [s. l.], 24 abr. 2018. Disponível em: https://www.geledes.org.br/medo-da-violencia-policial-e-de-acusacoes-injustas-e-maior-entre-populacao-negra-do-rio/?gclid=Cj0KCQjwkZiFBhD9ARIsAGxFX8CyVwGpdtpwxAWOLPBld2qmUSyIHmnAoAQOE0RX3DBylGsfSbVFz2oaAkcEEALw_wcB. Acesso em: 20 maio 2021. BONELLI, Laurent. A desconfiança em relação à política. Le Mon Diplomatique Brasil, ano 14, n. 156, p. 11-13, jul. 2020. [32] APÓS morte de homens por tentativa de furto de carne em supermercado na BA, jovem relata ter sido torturada no local. G1 BA, Salvador, 1 maio 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2021/05/01/apos-assassinato-de-homens-por-roubo-de-carne-em-supermercado-na-ba-jovem-relata-tortura-depois-de-furto-no-mesmo-local.ghtml. Acesso em: 20 maio 2021. [33] BRASIL tem 2ª maior concentração de renda do mundo, diz relatório da ONU. G1 Mundo, 9 dez. 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/12/09/brasil-tem-segunda-maior-concentracao-de-renda-do-mundo-diz-relatorio-da-onu.ghtml. Acesso em: 20 maio 2021.

[34] A informação foi veiculada em 02.12.2021 na CNN Brasil Business, em matéria com o título PIB do Brasil aparece em 26 no ranking mundial. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/business/pib-do-brasil-aparece-em-26-no-ranking-mundial/ Acesso em: 14.03.2022 02:40. [35] OLIVEIRA, Caroline. Recuo da indústria em 18,8% reflete desindustrialização e economia em “frangalhos”. Brasil de Fato, [s. l.], 9 jun. 2020. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2020/06/09/recuo-da-industria-em-18-8-reflete-desindustrializacao-e-mercado-em-frangalhos. Acesso em: 8 jun. 2021. s. p. A “indústria de transformação ocupa hoje apenas 11,3% do total do PIB, menor patamar desde 1947, enquanto a indústria como um todo – o que inclui a extração de minérios, petróleo, gás natural e a construção civil – representa 22% do PIB.” HERMANSON, Marcos. Por que a indústria de transformação tem a menor participação no PIB desde 1947? Brasil de Fato, [s. l.], 15 mar. 2019. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2019/03/15/por-que-a-industria-de-transformacao-nacional-ocupa-menor-patamar-no-pib-desde-1947. Acesso em: 8 jun. 2021. s. p. [36] “O recuo de março teve predomínio de taxas negativas entre as atividades industriais investigadas e foi puxado principalmente pela queda de 8,4% na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias. Com os resultados desse mês, o setor industrial encontra-se 16,5% abaixo do patamar recorde registrado em maio de 2011. A indústria acumula no ano crescimento de 4,4% e, nos últimos 12 meses, queda de 3,1%. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada [...] pelo IBGE. [...] Ainda nas influências negativas, destacaram-se as atividades de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-14,1%), de outros produtos químicos (-4,3%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,4%), de couro, artigos para viagem e calçados (-11,2%), de produtos de borracha e de material plástico (-4,5%), de bebidas (-3,4%), de móveis (-9,3%), de produtos têxteis (-6,4%) e de produtos de minerais não metálicos (-2,5%). [...] A queda de março foi acompanhada por três das grandes categorias econômicas e pela maioria dos ramos pesquisados. A categoria bens de consumo semi e não duráveis caiu 10,2%, a maior perda desde abril de 2020, quando havia registrado -12,6%. Os bens de consumo duráveis (-7,8%) e os bens de capital (-6,9%) intensificaram as perdas registradas no mês anterior. Já o setor produtor de bens intermediários (0,2%) foi o único a registrar taxa positiva.” CABRAL, Umberlândia. Produção industrial cai 2,4% em março, segundo mês seguido de retração. Agência IBGE Notícias, Rio de Janeiro, 5 maio 2021. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/30634-producao-industrial-cai-2-4-em-marco-e-aponta-o-segundo-mes-seguido-de-queda#:~:text=Ind%C3%BAstria%20nacional-,Produ%C3%A7%C3%A3o%20industrial%20cai%202%2C4%25%20em%20mar%C3%A7o%2C,segundo%20m%C3%AAs%20seguido%20de%20retra%C3%A7%C3%A3o&text=A%20produ%C3%A7%C3%A3o%20industrial%20caiu%202,nove%20meses%20de%20resultados%20positivos. Acesso em: 8 jun. 2021. s. p. [37] HARVEY, David. Crise. In: O enigma do capital. São Paulo: Boitempo, 2011. p. 9-40. BRETAS, Tatiana. Capitalismo dependente, neoliberalismo e financeirização das políticas sociais no Brasil. Rio de Janeiro: Consequência, 2020. [38] POR QUE a venda de armas no mundo cresceu pela primeira vez em 5 anos. BBC News Brasil – Mundo, s l., 17 dez. 2017. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-42343317#:~:text=Pela%20primeira%20vez%20em%20cinco,em%20rela%C3%A7%C3%A3o%20ao%20ano%20anterior. Acesso em: 8 jun. 2021. GASTOS militares globais atingem maior nível em 30 anos. DW Made for minds, [s. l.], 29 abr. 2019. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/gastos-militares-globais-atingem-maior-n%C3%ADvel-em-30-anos/a-48531464. Acesso em: 8 jun. 2021. INDÚSTRIA bélica entre interesses econômicos e políticos. DW Made for minds, [s. l.], 18 out. 2004. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/ind%C3%BAstria-b%C3%A9lica-entre-interesses-econ%C3%B4micos-e-pol%C3%ADticos/a-1363881. Acesso em: 8 jun. 2021.

[39] Central Única dos Trabalhadores (CUT). Disponível em: https://www.cut.org.br/. Acesso em: 20 maio 2021. [40] Força Sindical. Disponível em: https://www.fsindical.org.br/. Acesso em: 9 jun. 2021. [41] União Geral dos Trabalhadores (UGT). Disponível em: https://www.ugt.org.br/. Acesso em: 9 jun. 2021. [42] Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. Disponível em: https://ctb.org.br/. Acesso em: 9 jun. 2021. [43] Central Geral dos Trabalhadores do Brasil. [44] Nova Central Sindical de Trabalhadores. Disponível em: https://www.ncst.org.br/.Acesso em: 9 jun. 2021. [45] Central dos Sindicatos Brasileiros. Disponível em: https://csb.org.br/.Acesso em: 9 jun. 2021. [46] Intersindical – Central da Classe Trabalhadora. Disponível: https://www.intersindicalcentral.com.br/.Acesso em: 9 jun. 2021. [47] Pública Central do Servidor. Disponível em: https://publica.org.br/.Acesso em: 9 jun. 2021. [48] CSP Conlutas – Central Sindical e Popular. Apresenta como matéria de capa: “CPI da Covid escancara política genocida do governo na pandemia. Fora Bolsonaro e Mourão Já! Disponível em: http://cspconlutas.org.br/2021/06/cpi-da-covid-escancara-politica-genocida/. Acesso em: 9 jun. 2021. No site da entidade é possível localizar a campanha pró-vacinação, mas não encontramos qualquer referência aos dados do DIEESE sobre a morte de trabalhadores celetistas. [49] “Diante da recusa do governo, as centrais sindicais e representantes patronais discutem a criação de um grupo de estudos no âmbito do Congresso Nacional para a elaboração de políticas de combate ao desemprego.” PEREIRA, Tiago. Bolsonaro não tem políticas para o emprego e se nega a dialogar, diz Sérgio Nobre. CUT Brasil, São Paulo, 8 jun. 2021. Disponível em: https://www.cut.org.br/noticias/bolsonaro-nao-tem-politicas-para-o-emprego-e-se-nega-a-dialogar-diz-sergio-nobre-cf18. Acesso em: 10 jun. 2021. s. p.



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