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Blog Crítica Prática

EXPLORAÇÃO DA FORÇA-DE-TRABALHO-INVESTIGADOR-AUTOR NA PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO DO CONHECIMENTO - Notas


Até aqui, a bibliografia que aborda o problema da exigência crescente de produção e disseminação do conhecimento produzido em artigos perde-se enrodilhada em expressões (“publicar ou perecer”, “produtivismo”, “ciência-salame”, “publicacionismo”[1], “periodiocracia do conhecimento”[2]) em uma crítica que imputar processos históricos complexos a indivíduos tomados isolados das relações nas quais estão inscritos e pelas quais são determinados. Até aqui esta bibliografia aborda expressões superficiais do problema, sem ida às raízes determinantes, às relações mais complexas que produzem a injunção à produção em artigos[3].

Na perspectiva materialista e dialética dos problemas, trata-se de fazer aflorar as determinações que estão em movimento nas complexas relações subjacentes à cadeia produtiva do conhecimento científico, tecnológico e de inovação, particularmente na formação social brasileira de capitalismo subordinado e dependente. Queremos argumentar que nestas relações de produção do conhecimento, movem-se os velhos embates entre (I) a força de trabalho envolvida no processo e (II) os setores que promovem intensa concentração, centralização e apropriação privada dos produtos desta cadeia produtiva.

Reconhecemos que há nesta imensa cadeia de produção do conhecimento uma diversidade razoável de força-de-trabalho que nela se move (professores/investigadores/autores, editores, avaliadores, revisores, tradutores, programadores, operadores de dados) possibilitando a extração e circulação do valor. Entretanto, é necessário dar atenção a forma particular como a força-de-trabalho-investigador-autor opera, enquanto a mercadoria que efetivamente cristaliza valor no processo de produção do conhecimento como mercadoria/conhecimento a ser veiculado em livros, e, conforme os ditames da política de avaliação da pós-graduação e da editalização do acesso aos recurso - prioritariamente, em artigos publicados em periódicos de alto fator de impacto. Urge desnaturalizar estas relações de produção alcançando o seu âmago.

Nas relações de produção capitalistas, a veiculação do conhecimento produzido pela força-de-trabalho-investigador-autor (independente do estágio de desenvolvimento[4] em que se escolha publicá-la), assume, como em todo o processo de satisfação de necessidades postas neste modo de produção, a forma mercadoria[5]. Fazer esta afirmação, significa reconhecer (nos fatos[6]) que a circulação do conhecimento – um produto do trabalho (dispêndio de força de trabalho humana) – ocorre conforme as determinações da forma mercadoria, quais sejam: (i) refere-se a um produto do trabalho (o conhecimento enquanto uma atividade intelectual) que possui valor de uso (utilidade social); (ii) a possibilidade do seu consumo está regulada pelas trocas de mercadorias (enquanto trocas entre produtores de trabalhos de tipos diferentes que geram valores de uso diferentes) – possuem, portanto, valo-de-troca; (iii) por serem produto de dispêndio de força humana de trabalho, são contabilizáveis pelo tempo de trabalho necessário à sua produção, cristalizando valor e sendo passíveis, no processo de sua produção, de extração de mais valia.

Cabe sinalizar dois pontos fundamentais. Primeiro, que nas origens das relações de produção capitalistas, a produção do trabalho livre foi condição determinante para obrigar a todo e qualquer trabalhador a realizar trocas para a preservação da sua existência: ao concentrar e centralizar as forças produtivas (a terra, as ferramentas), os capitalistas condicionaram a existência dos trabalhadores à troca de força de trabalho por meios de vida (salário como equivalente geral para a troca por alimentação, habitação, vestuário, formação etc) – sob esta lei geral, não é facultado ao trabalhador (em cada ramo de produção em que opera como trabalhador especializado) acessar as forças produtivas de forma autônoma. Pelo contrário, este acesso é sempre subordinado à decisão do proprietário das forças produtivas. Segundo, que, no processo particular no qual esta força-de-trabalho-investigador-autor - operando para um capitalista difuso que a contrata na rede pública ou privada, enquanto trabalho vivo - opera e move trabalho morto (o conhecimento historicamente produzido pela humanidade), produzindo conhecimento novo. É necessário reconhecer que a potencialidade existente em cada novo artigo é a de ser efetivamente conhecimento novo, no sentido de inovar forças produtivas e relações de produção.

Os processos de produção e circulação do conhecimento têm então a tarefa de discernir o trabalho morto (conhecimento acumulado passado, preexistente no instante em que a força-de-trabalho-investigador-autor levanta a produção) do novo conhecimento, fruto do trabalho intenso da força-de-trabalho-investigador-autor de (i) reconhecer demandas objetivas, (ii) absorvê-las subjetivamente; (iii) promover saltos nos estágios de desenvolvimento da produção do conhecimento. Esta demanda objetiva de reconhecer conhecimento novo, impulsiona imensa acumulação de produção do conhecimento, ocultando um gigantesco processo de exploração de força de trabalho que se move para enfrentar a contradições quantidade/qualidade do movimento desta produção. Não à toa, produz-se um complexo sistema de rastreamento, quantificação, qualificação e controle de fraudes na circulação da produção do conhecimento na forma de artigos.

Temos como primeiro desafio mostrar, justamente, que por trás da circulação do conhecimento por meio de artigos, encontra-se um processo complexo de extração de mais-valia da força-de-trabalho-investigador-autor[7]. Seguindo-se o método da crítica da economia política, temos entre as tarefas pendentes, a investigação da forma particular na qual o emprego da força-de-trabalho-investigador-autor participa nas relações de produção capitalistas na produção de mais valia e na circulação do valor. A nosso ver, a circulação da produção do conhecimento em artigos acelera esta possibilidade, na medida em que enxuga os meios de circulação do conhecimento, tornando-os rapidamente consumíveis. Este processo (que se agrava com o desenvolvimento das tecnologias de informação) tem particular incidência sobre a perda de direitos autorais[8] e a centralização destes direitos pelo instrumento de publicação (revistas, editoras e plataformas de centralização de periódicos[9]).

Até o momento a produção do conhecimento que levantamos não explicou a relação entre (i) o estímulo à formação superior e à produção acadêmica na forma de TCC[10], IC, Dissertações de Mestrado, Teses de Doutorado e Projetos de Pesquisas, em um processo de profissionalização do trabalho acadêmico custeado pelo Estado[11]; a (ii) injunção[12] para que esta produção do conhecimento circule prioritariamente na forma de artigos disseminados em periódicos on line, em detrimento de capítulos de livros e livros, sem deixar de manter esta produção; (iii) a consideração desta produção como referência fundamental e critério determinante para a eleição/destaque do segmento da força-de-trabalho-investigador-autor que vai possuir mais vantagem na disputa por recursos públicos[13]; (iv) que valoriza cada força-de-trabalho-investigador-autor (professor pesquisador) como potencial captador de recursos para a sua Instituição de Educação Superior, via editais de fomento a pesquisa científica publicados por mais de 30 agências de fomento[14] existentes em todo o Brasil, e ainda não devidamente computadas internacionalmente (a exemplo do DAAD[15], Erasmus[16]).

Nesta lógica de distribuição de recursos via editalização oculta-se (1) o assalto ao fundo público e o desvio crescente de recursos das políticas sociais e da política nacional de ciência e tecnologia para setores diversos do capital[17]; assim como (2) a criação de um sistema complexo de produção e controle do conhecimento produzido que também visa (mas não só) (3) o reconhecimento (seleção) de intelectuais[18] e conhecimentos que possam expandir os processos de produção de mais valor, em novas cadeias produtivas ou no aprimoramento de cadeias produtivas já existentes[19].

Consideremos em detalhamento a complexa cadeia de produção e circulação do conhecimento produzido, fortemente marcada pelo controle e regulação:

  • Destacamento de parcelas da força-de-trabalho jovem para prosseguir estudos em cursos superiores organizados por área de conhecimento (Agrárias, Biológicas, Saúde, Humanas, Ciências Sociais Aplicadas, Linguística, Letras e Artes, Exatas e da Terra, Engenharias, Multidisciplinar) que assumem caráter de progressividade seletiva (Graduação, Especialização, Mestrado, Doutorado, Pós-Doutorado);

  • Seleção de parte ao corpo docente universitário para assumirem a função de líderes de pesquisa, abertura de grupos de pesquisa, plataformização do seu cadastro (Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq[20]) e conversão dos grupos em órgãos elementares do sistema de produção do conhecimento e de estímulo à sua circulação;

  • Seleção de estudantes da força-de-trabalho jovem para prosseguir estudos com recursos adicionais via bolsas de Iniciação Científica, Metrado e Doutorado oferecidas pelas agências de fomento oficiais da Federação e dos Estados;

  • Constituição de comitês de seleção de professores e estudantes que poderão pleitear e conquistar recursos adicionais via bolsas de Iniciação Científica, Metrado e Doutorado;

  • Constituição de comitês de aprovação de projetos de pesquisa pelo critério de autoridade na produção acadêmica, que atuando internamente em cada instituição e no interior das agências de fomento, definem os critérios de elegibilidade dos projetos que serão autorizados a receber recursos financeiros;[21]

  • Constituição de comitês de vigilância da produção na forma de sistema de revisão dos protocolos de ética em pesquisa e seu aprimoramento conforme as necessidades do controle dos processos de investigação, de controle da circulação da produção do conhecimento, desenvolvendo-se um código proibitivo de condutas que passam a ser consideradas parâmetro de comportamento investigativo (naturaliza-se uma lógica de valores tratada como verdade eterna e universalmente válida para todas as áreas; produz-se uma categorização de “crimes acadêmicos”: autocitação, autoplágio, “escambe autoral”, “citacionismo” etc.[22]) desenhando-se estruturas e sistemas de vigilância e penalização[23] (por exemplo Sistema CEP/CONEP/SISNEP;

  • Plataformização dos instrumentos de veiculação do conhecimento científico, os periódicos científicos, em um processo de desenvolvimento de tecnologias informáticas que barateiam e aceleram a circulação do conhecimento, tornando-o independente da celulose/papel e do dispendioso e lento sistema de postagem física (Sistema SEER/OJS[24]);

  • Constituição de comitês de avaliação dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação promovendo-se o seu ranqueamento;

  • Atrelamento da avaliação da Pós-Graduação à produção acadêmica da força-de-trabalho-investigador-autor em um sistema de avaliação e classificação formal dos Programas que tem entre os critérios de avaliação a Qualisficação dos periódicos em que a produção é veiculada[25], considerando-se, por exemplo, a reputação e o fator de impacto dos periódicos;

  • Plataformização da avaliação dos programas e classificação dos programas de pós-graduação conforme o seu valor em termos da classificação da produtividade acadêmica medida pela classificação dos artigos disseminados em periódicos e mais citados (ver Plataforma SUCUPIRA e QUALIS)[26];

  • Promoção da concorrência entre membros da força-de-trabalho-investigador-autor e as instituições as quais estão vinculados, para que sejam visibilizados, lidos, citados que envolvem altos custos para a aquisição do direito de publicar em periódicos considerados de alto fator de impacto[27];

  • Plataformização dos currículos vitae[28] e estímulo para sua atualização, convertendo-os em ferramenta de centralização da informação sobre a produção acadêmica e de disseminação do potencial de cada força-de-trabalho-investigador-autor (nos níveis mais elementares aos mais complexos de sua formação) – uma verdadeira vitrine de currículos à disposição do sistema de seleção de cérebros;

  • Desenvolvimento de ferramentas de contagem de citações e referências (WEB OF SCIENCE, SCOPUS, Google Scholar) e softwares detecção de similaridade e controle de repetições/plágio (CopySpider, Gramarly[29]);

  • Aparecimento de sistemas de contabilização da produção acadêmica em todo o mundo e ranqueamento de nações e Universidades pelo critério de sua produtividade;

  • Aparecimento de processos de centralização desta produção em grandes portais de periódicos (SCIELO[30], Educ@[31], LATINIDEX[32], PubMed[33]);

  • Precificação do direito de acesso aos artigos publicados nas plataformas mais valorizadas (Portal de periódicos CAPES[34]);

  • Precificação da publicação de novos artigos nos periódicos mais valorizados[35];

  • Para controle da circulação dos artigos e dos acessos atribuição de DOI[36] e ORCID[37] a cada autor, constituindo-se mecanismo de identidades acadêmica e seriação da produção;

Considere-se ainda que a dinâmica interna desta complexa cadeia de produção e circulação do conhecimento produzido relaciona-se intimamente com segmentos de mercado tais como de fármacos e cosméticos; desenvolvimento de processos genéticos de aprimoramento de produção animal para alimentação ou para consumo conspícuo (criação e aprimoramento de animais de raça que assumem valores estratosféricos no comércio próprio de cada setor); desenvolvimento da indústria de produção de grãos (com estruturas próprias de investigação científica isolada dos sistemas universitários, a exemplo da EMATER e IAPAR). Editais publicados pelo CNPq no ano 2022, evidenciam (a) a possível intensa disputa de recursos em ano eleitoral; assim como (b) os setores econômicos mais beneficiados: Computação e Inteligência Artificial; Estudos ambientais, saúde ambiental, recursos hídricos, oceanos; Mineração e Transformação Mineral; Investigações em Saúde; Apoio a periódicos; Energia Elétrica; Economia do Hidrogênio; Defensivos agrícolas e nutrição de plantas; Biotecnologia aplicada; Transportes; Mudanças Climáticas; Pesquisa espacial e aeronáutica; Nanotecnologia; Fármacos e medicamento; Pesquisa Agropecuária. Uma cadeia que evidencia as ligações profundas entre a atuação da força-de-trabalho-investigador-autor (nos níveis mais elementares aos mais complexos de sua formação) e as mais diversas cadeias produtivas que estejam em um determinado momento mais evidenciadas conforme os movimentos conjunturais e o desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção. Esta constatação torna os Editais de fomento à pesquisa importantes fontes de estudo das relações interiores a este sistema, de forma a precisar os nexos entre fundo público e desenvolvimento de forças produtivas, e evidenciar a atuação prioritária do Estado no atendimento – em última instâncias – daqueles interesses.

No âmbito da mercadorização da circulação do conhecimento, artigo de Silveira (2021) evidencia as altas margens de lucro que estão sendo gerados para aqueles que centralizam a produção. Prosseguir no estudo cuidadoso desta cadeia para tornar públicos os processos de exploração da força-de-trabalho-investigador-autor (nos níveis mais elementares aos mais complexos de sua formação) torna-se fundamental para o revelar afetivo do fetiche da mercadoria: relações entre produtores e concentração da riqueza nos grandes capitais que controlam esta produção.

Neste processo, é fundamental aprofundar a análise dos nexos à injunção à circulação da produção do conhecimento em periódicos por dentro dos Documentos de Área de avaliação dos programas pela CAPES de forma a evidenciar a direção efetiva que a pós-graduação vai assumindo nos nexos com os setores produtivos, com vistas ao seu desenvolvimento. É fundamental prestar atenção, nos últimos 30 anos (1993-2023), na quantidade de editais lançados ao ano pelo CNPq, às áreas priorizadas, as universidades e investigadores que receberam estes recurso em relação com as regiões econômicas em que estão sediadas as Universidades e a cadeia produtiva em cada região econômica.

Esta conjuntura de nexos e relações muito complexas, desautoriza qualquer leitura que impute ao indivíduo a responsabilidade “[...] por relações, das quais ele continua sendo, socialmente, criatura, por mais que, subjetivamente, se julgue acima delas” (MARX, 1989, p. 6).

Em um processo evidente de produção do conhecimento como um produto com valor-de-uso/valor-de-troca/valor, portanto, mercadoria, evidencia-se que o capital está operando na produção do conhecimento o mesmo mecanismo de extração da mais valia sobre a força-de-trabalho-investigador-autor nos diferentes momentos de sua formação e vida ativa por dentro de IES públicas e privadas. O movimento docente e particularmente a militância de esquerda necessita avançar na leitura desta dinâmica, sob pena de ficar empunhando bandeiras abstratas profundamente descoladas das lutas reais travadas pela força-de-trabalho-investigador-autor (nos níveis mais elementares aos mais complexos de sua formação).


Bibliografia de Referência:

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FREITAS, Maria Helena de Almeida. Avaliação da produção científica: considerações sobre alguns critérios. Psicol. esc. educ. v.2 n.3 Campinas 1998. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85571998000300002

LEITE, Janete Luzia. Publicar ou perecer: a esfinge do produtivismo acadêmico. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1982-02592017v20n2p207R. Katál., Florianópolis, v. 20, n. 2, p. 207-215, maio/ago. 2017 ISSN 1982-0259

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Notas:

* Meisterdrucke. Imagem em domínio público. Disponível em: https://www.meisterdrucke.de/kunstdrucke/Alphonse-Adolphe-Bichard/400138/Abenteuer-von-Baron-M%C3%BCnchhausen-(Chromolitho).html. Acesso em: 19 jun. 2023.

A figura do Barão de Münchhausen tornou-se conhecida no Brasil através da obra de Michael Löwy, As aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen – marxismo e positivismo na sociologia do conhecimento. Trata-se de uma referência à impossibilidade de neutralidade do ser que conhece em relação ao objeto do conhecimento. Na passagem exata: “Na realidade, a ‘boa vontade’ positivista enaltecida por Durkheim e seus discípulos é uma ilusão ou uma mistificação. Liberar-se por um ‘esforço de objetividade’ das pressuposições éticas, sociais ou políticas fundamentais do seu próprio pensamento é uma façanha que faz pensar irresistivelmente na célebre história do Barão de Münchhausen, ou este herói picaresco que consegue, através de um golpe genial, escapar ao pântano onde ele e seu cavalo estavam sendo tragados, ao puxar a si próprio pelos cabelos [...]. Os que pretendem ser sinceramente seres objetivos são simplesmente aqueles nos quais as pressuposições estão mais profundamente enraizadas” (LÖWY, 1987, p. 31).

[1] CASTIEL, Luís David; SANZ-VALERO, Javier; MEL-CYTED (2007, p. 3042-3043).

[2] VILAÇA (2013, p. 10)

[3] “Os artigos científicos são praticamente a única maneira pela qual a ciência é representada e validada no mundo. No modelo tradicional de sua divulgação, eles são publicados em periódicos especializados, cujo acesso é restrito a assinantes, normalmente bibliotecas universitárias e agências públicas, que os franqueiam, em geral, a seus cientistas e estudantes. O problema, além do alcance limitado, é o alto custo desse sistema. No Brasil, por exemplo, a Capes gastou R$ 480 milhões em assinaturas do Portal Periódicos em 2020.” Disponível em: https://www.revistaquestaodeciencia.com.br/questao-de-fato/2021/05/21/o-desafio-do-acesso-aberto-publicacao-cientifica Acesso em 07.07.2023.

[4] Chamada CNPq/MCTI/SEMPI Nº 56/2022 - Apoio para Estudante Elaborando TCC em Inteligência Artificial.

[5] SILVEIRA (2021).

[6] ENGELS, F. O desenvolvimento do socialismo da utopia à ciência. Lisboa, Editorial Avante!, 2018

[7] SILVERA (2021)

[8] Há intenso debate em torno dos conflitos decorrentes do processo de circulação do conhecimento na forma de artigos. Particularmente, aqueles referentes aos direitos morais e aos direitos patrimoniais dos autores e o processo de cessão do segundo para o instrumento/agente que publica a obra. Ver: DIAS, Guilherme Ataíde; SOUSA, Rosilene Paiva Marinho de. PAIVA, Maria José Rodrigues (2012). Ver também: USP OPEN ACCESS. Publicação científica em acesso aberto e os direitos autorais. Disponível em: https://www.acessoaberto.usp.br/acesso-aberto-e-direitos-autorais/?doing_wp_cron=1688777723.0803310871124267578125 Ou ainda: UFMG. Periódicos UFMG. Dados de pesquisa e direito autoral. Disponível em: https://www.ufmg.br/periodicos/dados-de-pesquisa-e-direito-autoral/

[9] As instituições brasileiras levam a sério os requisitos de direito autoral adquiridos pelos periódicos. A agência de Bibliotecas e Coleções Digitais da Universidade de São Paulo (ABCD USP ) orienta à comunidade universitária sobre “regulamentos de direitos de propriedade intelectual que especificam quais versões de um artigo de revista podem ser depositadas em um repositório”. Disponível em: https://www.abcd.usp.br/apoio-pesquisador/acesso-aberto-usp/revista-escolhida-consulte-permissoes-e-restricoes/qual-e-a-diferenca-entre-pre-print-post-print-e-artigo-publicado/A Biblioteca do ICBS da UFRGS também encaminha uma orientação à comunidade acadêmica: “Os editores de revistas científicas possuem políticas editoriais sobre as permissões de arquivamento e disponibilização dos artigos em repositórios ou redes sociais acadêmicas. As condições variam de revista para revista e podem permitir o depósito da versão pre-print, post-print ou da versão final do artigo publicado.” Disponível em: https://www.ufrgs.br/bibicbs/diferenca/ Em ambos os casos, são fornecidas aos próprios autores dos manuscritos orientações sobre a forma correta de proceder o depósito de suas obras autorais no Repositório Institucional da Instituição na qual atuam. Ver também: USP OPEN ACCESS. Publicação científica em acesso aberto e os direitos autorais. Disponível em: https://www.acessoaberto.usp.br/acesso-aberto-e-direitos-autorais/?doing_wp_cron=1688777723.0803310871124267578125

[10] A produção de Trabalhos de Conclusão de Curso enquanto incentivo à produção acadêmica é particularmente destaca na finalização da graduação, quando consideramos o volume de graduados ao ano em relação aos especialistas, mestres e doutores. Em alguns casos, é interessante perceber a relevância destes TCC na Chamada CNPq/MCTI/SEMPI Nº 56/2022 - Apoio para Estudante Elaborando TCC em Inteligência Artificial.

[11] É nas Universidades públicas – que priorizam contratos em regime de dedicação exclusiva – que está a cadeia produtiva da força-de-trabalho-investigador (altamente regulada) é mais desenvolvida. O contrato efetivo de investigadores se dá em um processo que é só (obrigatoriamente) como professores que poderão ter o direito de ser investigadores. Ver SILVEIRA (2021).

[12] A injunção à produção em artigos aparece de diversas formas nos documentos de área da CAPES e nos critérios de avaliação dos candidatos aos editais do CNPq. Na Chamada CNPq Nº 09/2023 Bolsas de Produtividade em Pesquisa e Bolsas de Produtividade em Pesquisa Sênior, orienta-se: “Do ponto de vista da produção bibliográfica, o número mínimo de produtos, nos últimos 10 anos, para a classificação em cada nível está especificado a seguir”: Para classificação como 1A “6 artigos”; Para classificação como 1B “04 em artigos”; 1C “08 em artigos”; 1D “5 em artigos”. A Área de Educação possui 184 PPG e 270 cursos. O documento de área 30: Educação (2019), no tópico “2.4 Perspectivas de impacto dos PPGs da área na sociedade”, a respeito da disseminação de trabalhos em artigos, destaca: “Vislumbra-se um crescimento da publicação dos resultados das pesquisas dos docentes e discentes em veículos internacionais e/ou em canais e linguagens que ampliem o alcance do conhecimento para outras nações. Isto tem sido percebido pelo crescimento do número de revistas internacionais elencadas no processo de avaliação dos periódicos, bem como de artigos de autores brasileiros em língua estrangeira, mesmo que em periódicos nacionais. Ainda se trata de um movimento recente e não muito grande, mas que pode indicar mudança de concepção e postura dos docentes e discentes da Área.” Na ficha de avaliação dos Programas destaca-se, sobre a “2.4. Qualidade das atividades de pesquisa e da produção intelectual do corpo docente no programa”, destacando-se os produtos que serão considerados (correspondendo a 30% da avaliação do programa”: “2.4.1. Média ponderada de até quatro produções, indicadas pelo PPG, por docente permanente no quadriênio, vinculadas à área da Educação, em periódicos científicos, livros e capítulos e verbetes, excluída a duplicidade do produto na forma de coautoria entre docentes do mesmo PPG, considerando: a) o mínimo de dois artigos em periódicos b) não mais que dois produtos em livros ou capítulos de livro ou verbetes b.1) sendo que destes, não mais que 1 (um) capítulo de livro ou verbete c) no máximo 1 (um) desses produtos pode ser publicado em revistas científicas vinculadas ao PPG ou Faculdade de Educação ou equivalente, ou editora universitária vinculada à IES”. Neste instrumento, as produções em periódicos classificados entre A1 e A 4 são as seguintes: A1 100; A2 85; A3 75; A4 65. A valoração de livros fica da seguinte forma: L1 250, L2 180 e L3 130. No ítem “3.1. Impacto e caráter inovador da produção intelectual em função da natureza do programa”. Segue no item 3.1.2. “Razão entre o número de artigos A1+A2 publicados pelo programa (docentes, discentes e egressos) e o total de docentes permanentes 3.1.3. Qualidade das produções intelectuais mais importantes selecionadas e justificadas pelo próprio PPG, excluídas as dos egressos. Deve-se considerar: a) PPG com até 20 DP: 5 produtos b) PPG de 21 a 40 DP: 8 produtos c) PPG com 41 ou mais DP: 10 produtos Obs.: Haverá um módulo especial na plataforma Sucupira para o destaque desses produtos”. Na área de saúde, na Ficha de avaliação de saúde coletiva, são dadas as seguintes orientações: “Para os periódicos em que a Saúde Coletiva será a área mãe, a classificação será baseada no modelo de Qualis Referência 2(QR2). Nesse modelo, o estrato do periódico, inicialmente será definido pela posição do periódico no Universo de revistas da Área, utilizando o índice H5 do Google Scholar como métrica de comparação. Além disso, a comissão de classificação adotará outros critérios para alteração da classificação inicial dentro dos percentuais admitidos pelo modelo. Esses critérios serão apresentados no relatório da Comissão de Avaliação do Qualis Periódico.”.

[13] Na Chamada CNPq Nº 09/2023 Bolsas de Produtividade em Pesquisa e Bolsas de Produtividade em Pesquisa Sênior, orienta-se: “Do ponto de vista da produção bibliográfica, o número mínimo de produtos, nos últimos 10 anos, para a classificação em cada nível está especificado a seguir”: Para classificação como 1A “6 artigos”; Para classificação como 1B “04 em artigos”; 1C “08 em artigos”; 1D “5 em artigos”. VILAÇA (2013, p. 12) expõe os dados acerca dos lucros milionários da cadeia produtiva de artigos.

[14] CNPq, CAPES, FINEP e em cada Estado da Federação, a agência estatal local: FAPEAM, FAPERR, FAPERO, FUNDAPE, FAPESPA, FAPEG, FAPEMAT, FUNDECT, FAPDF, FAPT, FAPEPI, FAPERN, FAPEMA, FUNCAP, FAPESQ, FACEPE, FAPEAL, FAPESB, FAPITEC, FAPES, FAPERJ, FAPESP, Fundação Araucária, FAPESC, FAPERGS.

[15] DAAD. Serviço Aemão de Intercâmbio Acadêmico. (Deutscher Akademischer Austauschdienst). Disponível em: https://www.daad.org.br/pt/estudar-pesquisar-na-alemanha/aprender-alemao/alemao-online/ Acesso em 09.07.2023

[16] Erasmus. European Education and Culture Executive Agency. Disponível em: https://www.eacea.ec.europa.eu/grants/2021-2027_en Acesso em: 09.07.2023

[17] Estejam estes (a) cobrando títulos da dívida pública e investindo recursos na especulação financeira; (b) reivindicando socorro em situações de abalos sísmicos decorrentes da crise continuada do capitalismo; (c) disputando concorrência para a oferta de serviços (saneamento, saúde, educação); (d) recebendo isenções de impostos em troca da instalação de parques industriais, entre outros mecanismos).

[18] Na Chamada CNPq No 09/2023 Bolsas de Produtividade em Pesquisa e Bolsas de Produtividade em Pesquisa Sênior os critérios de elegibilidade dos intelectuais evidenciam a dinâmica: Nas Linhas 1 e 2 de Bolsas Produtividade do CNPq destaca-se ä valorização da “produção científica segundo critérios normativos, estabelecidos pelo CNPq, e específicos, pelos Comitês de Assessoramento”. O proponente deve: a) ter seu currículo cadastrado na Plataforma Lattes, atualizado até a data limite para submissão das propostas; b) possuir o título de Doutor; c) ter CPF ativo e regular; d) ter vínculo formal com a instituição de execução do projeto. Os critérios de julgamento têm caráter geral e específico para cada área. Entre os critérios gerais, destacam-se: A. Relevância, originalidade e caráter inovador da contribuição científica, tecnológica, intelectual e artística do proponente ao longo da carreira, com ênfase na atividade recente (últimos 5 anos). B. Mérito acadêmico e intelectual, originalidade e relevância do projeto para o desenvolvimento científico, tecnológico ou social do país, considerando, adicionalmente, seus potenciais impactos e caráter inovador. C. Contribuição do proponente para a formação de recursos humanos altamente qualificados e atuação em cursos de graduação e pós- graduação. D. Cooperação com grupos de pesquisas ou instituições no país e no exterior e participação ou coordenação de projetos e redes de pesquisa. E. Atuação em sociedades científicas e editoria de periódicos no país e no exterior, atuação em gestão científica, prêmios, condecorações e outras distinções, considerando sua fase profissional. É interessante consultar o Anexo I quanto aos critérios específicos de área. Para a educação: orienta-se: “Do ponto de vista da produção bibliográfica, o número mínimo de produtos, nos últimos 10 anos, para a classificação em cada nível está especificado a seguir”: Para classificação como 1A “6 artigos”; Para classificação como 1B “04 em artigos”; 1C “08 em artigos”; 1D “5 em artigos”.

[19] No caso do CNPq, as chamadas do último período priorizaram: (A) Computação e Inteligência Artificial: Chamada CNPq/AWS Nº 64/2022 - Acesso às Plataformas de Computação em Nuvem da AWS (Cloud Credits for Research); Chamada CNPq/MCTI/SEMPI Nº 26/2022 - Pesquisa e Desenvolvimento em Computação Quântica; Chamada CNPq/SEMPI/MCTI/FNDCT Nº 54/2022 - PROJETO IA2 - EMPREENDEDORISMO DE BASE TECNOLÓGICA EM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL; Chamada CNPq/MCTI/SEMPI Nº 56/2022 - Apoio para Estudante Elaborando TCC em Inteligência Artificial; Chamada CNPq/MCTI nº 55/2022 - Sistema Amazônico de Laboratórios Satélites (SALAS); Chamada CNPq/SEMPI/MCTI Nº 57/2022 - MESTRADO OU DOUTORADO EM COMPUTAÇÃO QUÂNTICA, FOTÔNICA INTEGRADA E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL; Chamada CNPq/SEMPI/MCTI/FNDCT Nº 54/2022 - PROJETO IA2 - EMPREENDEDORISMO DE BASE TECNOLÓGICA EM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (B) Estudos ambientais, saúde ambiental, recursos hídricos, oceanos: Chamada 47/2022 CNPq/Decit/SCTIE/MS Saúde Ambiental - Pesquisas sobre a exposição de populações vulneráveis ao mercúrio na região Amazônica; Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 62/2022 - Sistemas de Observação e Monitoramento Oceânico relacionados ao Global Ocean Observing System (GOOS) Brasil; Chamada CNPq/MCTI/FNDCT/CT-Hidro Nº 63/2022 - Gestão Integrada de Recursos Hídricos e Zonas Costeiras no Contexto das Mudanças Climáticas; Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 61/2022 - Ciência Cidadã e Divulgação Científica: Programa Ciência no Mar, Ciência Antártica e Ações Nacionais voltadas à Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável; Chamada CNPq/MCTI-FNDCT CT-Petro Nº 43/2022 - Combate à poluição no mar e ambientes marinhos causada pelo plástico e seus subprodutos; (C) Mineração e Transformação Mineral: Chamada CNPq/CT- Mineral Nº 28/2022 - PD, Gestão e Extensão Tecnológica, Infraestrutura Laboratorial, Capacitação e Formação de RH para Mineração e Transformação Mineral em Micro, Pequena e Média Escala; Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 23/2022 ¿ IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA DE PD EM NIÓBIO (INOVANIÓBIO); Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 22/2022 - Programa MCTI de Inovação em Grafeno, InovaGrafeno-MCTI; Chamada CNPq/CT-Mineral/CT-Energ Nº 27/2022 - PD&I para o desenvolvimento integral das cadeias produtivas de Minerais Estratégicos; (D) Mineração Petróleo e Gás: Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 16/2022 - Aplicações de PD&I em Prospecção e Exploração de Recursos Minerais e de Petróleo & Gás Natural; (E) Investigações em Saúde: CHAMADA CNPQ/DECIT/SCTIE/MS/DESID/SE/MS Nº 44/2022 - ECONOMIA DA SAÚDE: PESQUISAS PARA A MELHORIA DO GASTO PÚBLICO EM SAÚDE; CHAMADA CNPQ/DECIT/SCTIE/MS No. 48/2022 PARA ESTUDOS DE AVALIAÇÕES EXECUTIVAS DE POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE; Chamada CNPq/MCTI/CT-Saúde Nº 52/2022 - Ações em Ciência, Tecnologia e Inovação para o enfrentamento da Resistência Antimicrobiana (RAM); Chamada CNPq/MCTI/CT-Saúde N° 53/2022 - Pesquisa, desenvolvimento e inovação em COVID Longa; Chamada CNPq/Decit/SCTIE/MS Nº 49/2022 - Pesquisas Estratégicas com Vacinas desenvolvidas no Brasil; Chamada CNPq/Decit-SCTIE-MS/COCAM-CGCIVI-DAPESSAPS/MS Nº 46/2022 - Saúde da Criança; Chamada CNPq/MS/SCTIE/DECIT Nº 45/2022 - SAÚDE MENTAL; CHAMADA CNPQ/MS-SCTIE-DECIT Nº 50/2022 - APOIO A PROJETOS DE PESQUISA, DESENVOLVIMENTO E INOVAÇÃO (PD) QUE VISEM O DESENVOLVIMENTO DE TESTES GENÉTICOS E DE BIÓPSIA LÍQUIDA APLICADOS À SAÚDE HUMANA; CHAMADA CNPQ/DGITIS/SCTIE/MS Nº.24/2021 - INOVAÇÃO EM MÉTODOS E APLICAÇÃO DA AVALIAÇÃO DE TECNOLOGIAS EM SAÚDE NO BRASIL. Chamada CNPq/DEPROS/SAPS/MS Nº 20/2021 - Avaliação nacional da efetividade da gestão intersetorial e das ações do Programa Saúde na Escola; Chamada CNPq/MS/SAPS/DEPROS Nº 51/2022 - Construção de metodologia para a formulação de políticas públicas estaduais de alimentação e nutrição e de promoção da saúde e apoio à implementação; (F) Apoio a periódicos: Chamada CNPq Nº 12/2022 - Programa Editorial; Chamada CNPq Nº 15/2021 Programa Editorial; (G) Energia Elétrica: CHAMADA CNPQ/MCTI 25/2022 - PESQUISA, DESENVOLVIMENTO, INOVAÇÃO EM TEMÁTICAS PRIORITÁRIAS PARA O SETOR ELÉTRICO NACIONAL; (H) Economia do Hidrogênio: Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 24/2022 - Apoio ao Sistema Brasileiro de Laboratórios de Hidrogênio - SisH2-MCTI; Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 18/2022 - Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Apoio ao Programa Combustível do Futuro e à Iniciativa Brasileira do Hidrogênio (IBH2 MCTI); (I) Defensivos agrícolas e nutrição de plantas: CHAMADA CNPQ/MCTI/CT-AGRO Nº 32/2022 - APOIO A PROJETOS DE P,D&I PARA A ÁREA DE BIOINSUMOS, NUTRIÇÃO DE PLANTAS E DEFENSIVOS AGRÍCOLAS SUSTENTÁVEIS; (J) Biotecnologia aplicada: Chamada CNPq/MCTI/CT-BIOTEC Nº 31/2022 - Apoio a projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) voltados à Biotecnologia e aplicados aos temas atuais de saúde humana, agropecuária, meio ambiente e indústria; CHAMADA CNPQ/MCTI/CT-BIOTEC Nº 30/2022 - APOIO A PROJETOS DE P,D QUE VISEM O DESENVOLVIMENTO E APLICAÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS E FERRAMENTAS DE BIOINFORMÁTICA EM BIOTECNOLOGIA; CNPq/MCTI Nº 38/2022 - APOIO A CURSOS DE CURTA DURAÇÃO EM BIOTECNOLOGIA NO ÂMBITO DO CENTRO LATINO-AMERICANO DE BIOTECNOLOGIA – CABBIO; (K) Transportes: Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 15/2022 ¿ Desenvolvimento de CT&I para o Setor de Transporte; Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 14/2022 ¿ Desenvolvimento de CT&I para os Setores de Transporte Aquaviário e Construção Naval; (L) Mudanças Climáticas: Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 59/2022 - Produção de Conhecimento Voltada para Soluções e Tecnologias Associadas à Mitigação e Adaptação às Mudanças do Clima; (M) Pesquisa espacial e aeronáutica: CHAMADA CNPq Nº 20/2022 - PROGRAMA UNIESPAÇO; CNPq/FNDCT/MCTI 17/2022 - Desenvolvimento de C,T ao Setor Aeronáutico; Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 19/2022 - Desenvolvimento de CT para Cubesats e suas Aplicações às Áreas de Interesse do Brasil; (N) Nanotecnologia: CHAMADA CNPq/MCTI Nº 42/2022 APOIO A PROJETOS COOPERATIVOS EM NANOTECNOLOGIA NO ÂMBITO DO CENTRO BRASILEIRO ARGENTINO DE NANOTECNOLOGIA – CBA; (O) Fármacos e medicamento: 2ª CHAMADA CNPQ/FARMANGUINHOS-FIOCRUZ PROEP/FAR; (P) Pesquisa Agropecuária: Chamada CNPq/MCTI/Associação ABELHA nº 27/2021- Polinizadores


[20] Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/web/dgp

[21] É por esta razão que Vilaça levantará a questão correta da atividade de pesquisa regulada pela comunidade do conhecimento, ao perguntar “[...] em que medida os pesquisadores podem, atualmente, deliberar sobre o que pesquisarão, bem como quando e onde publicarão os resultados da sua pesquisa?” (VILAÇA, 2013, p. 11). Esta comunidade “impõe certo comportamento aos pesquisadores”, destacando-se “quando, quanto e onde publicar” (VILAÇA, 2013, p. 11).. Entendemos que a comunidade do conhecimento (cujo órgão mais imediato é o pesquisador líder de grupo de pesquisa, define, inclusive, o que vai ser pesquisado e como vai ser pesquisado, cerceando a possibilidade de desenvolvimento de investigações que reivindiquem matrizes teóricas que não são majoritárias em uma dada comunidade do conhecimento).

[22] CASTIEL, uís David; SANZ-VALERO, Javier; MEL-CYTED (2007, p. 3042-3043).

[23] VILAÇA (2013, p. 10) reconhece a relação entre a pressão pela produtividade e a “más condutas acadêmicas”, assumindo, entretanto, este código de conduta sem problematizar a sua construção recente explicada à luz do esforço de modelar a circulação do conhecimento conforme as leis da propriedade privada (não do autor, mas do órgão/instrumento que primeiro veiculou a produção). Vilaça defende que “Na medida em que tal política visa à diferenciação hierarquizadora com pretensões qualitativas e prevê meios de recompensa [...] pesquisadores individualmente ou coletivamente [...] são instados a se ajustar ao modelo de produtividade corrente, sob pena de sofrerem prejuízos na sua trajetória profissional”, produzindo-se o contrasenso recompensa/punição e um modelo de ajustes de condutas que tem sua raiz na demanda subjetiva, que ele entende ser fundamental à carreira acadêmica, por “reconhecimento e financiamento” (VILAÇA, 2013, p. 10-12). Toda a complexa lógica do produtivismo é explicada pela demanda subjetiva de “[...] promoção do status quo desatacado de um(a) pesquisador(a) ou de um PPG no meio acadêmico-científico” (VILAÇA, 2013, p. 11). Que autoriza Vilaça a corroborar com a tese de Trein e Rodrigues um “[...] mal-estar provocado pelo fetiche do conhecimento-mercadoria e o seu canto de sereia” (TREIN E RODRIGUES, 2011, p. 768), assombrando a comunidade acadêmica “o fantasma da improdutividade” (VILAÇA, 2013, p. 12).

[25] Ver Plataforma SUCUPIRA e QUALIS)GOV.BR Plataforma Sucupira. Disponível em: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/#

[26] GOV.BR Plataforma Sucupira. Disponível em: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/#

[27] A matéria “Fator de impacto: você sabe como descobrir o fator de impacto de uma publicação?”, publicada no Fórum de ciência e cultura do SIBI UFRJ diz Fator de Impacto é a principal métricaque qualifica as publicações científicas com base nas citações que ela recebe. O cálculo é feito somando-se as citações dos artigos recebidas no ano do cálculo do fator de impacto e dividindo esse número pela quantidade de artigos publicados nos dois anos antecedentes a esse cálculo. A base estatística Journal Citation Reports (JCR) da editora Clarivate Analytics é um recurso que permite avaliar e comparar publicações científicas utilizando dados de citações extraídos de revistas acadêmicas e técnicas e o impacto destas na comunidade científica indexadas pela coleção principal da Web of Science. Por meio da JCR é possível verificar os periódicos mais citados em uma determinada área e a relevância da publicação para a comunidade científica por meio do Fator de Impacto. Avalia revistas de 3.300 editores, cerca de 200 disciplinas, e 60 países. É possível verificar estatística de citações desde 2001 até o presente. O JCR é uma base que avalia periódicos indexados apenas na Web of Science.” A matéria orienta aos professores como saber sobre fatores de impacto de suas produções. Diz: “Para saber como pesquisar o fator de impacto de uma publicação, assista o vídeo feito pelo bibliotecário Moreno Barros, da biblioteca do Centro de Tecnologia (CT). Além disso, o video mostra outros sistemas de ranking de qualidade científica, como o Qualis e o índice h do Google.” SIBI UFRJ. Fórum de Ciência e Cultura. Fator de impacto: Você sabe como descobrir o fator de impacto de uma publicação?. Publicado em: 05 Agosto 2020 Disponível em: https://www.sibi.ufrj.br/index.php/inicio/367-fator-de-impacto-voce-sabe-como-descobrir-o-fator-de-impacto-de-uma-publicacao Matéria semelhante foi publicada na página da UFMB: “Fator de Impacto é um método usado para qualificar as revistas científicas com base nas citações que ela recebe. O cálculo é feito somando-se as citações dos artigos recebidas no ano do cálculo do fator de impacto e dividindo esse número pela quantidade de artigos publicados nos dois anos antecedentes a esse cálculo. Se foram publicados 400 artigos nos dois últimos anos e recebidas 200 citações no último ano, o fator de impacto fica como 0,5 (200/400), como explica Galoá Journal. Uma das questões apontadas pelos críticos é o fato do método ser facilmente manipulado por usos indevidos como a auto-citação. De qualquer forma, a influência do fator de impacto persiste.” Periódicos de Minas. O que é Fator de Impacto e por que ele é importante para o seu periódico. Disponível em: https://www.periodicosdeminas.ufmg.br/o-que-fator-de-impacto-periodico/

[28] Plataforma Lattes. Disponível em: https://lattes.cnpq.br/


[30] Scientific Eletronic Library Online https://www.scielo.br/

[31] Educ@. Publicações Online de Educação. Metodologia Scielo. Indexador on-line que visa a proporcionar um amplo acesso a coleções de periódicos científicos na área da educação. Disponível em: https://www.fcc.org.br/fcc/educ/

[32] Sistema Regional de Información en línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portuga https://www.latindex.org/latindex/

[33] PUB MED. National Library of Medicina. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/

[34] “[...] apesar do público limitado, trata-se de um negócio altamente lucrativo para as editoras de periódicos científicos, como o grupo RELX, conglomerado multinacional no qual a Elsevier se transformou em 2015, e a Springer Nature. Em artigo publicado no jornal britânico The Guardian, o escritor e jornalista especializado em ciência e meio ambiente Stephen Buranyi dá alguns números. Com receita global total de mais de 19 bilhões de libras (cerca de R$ 143 bilhões), em tamanho essa indústria está entre a fonográfica e o cinema, mas com uma rentabilidade muito maior. Em 2010, por exemplo, o braço de publicação científica da então Elsevier teve uma receita de 2 bilhões de libras (cerca de R$ 15 bilhões), com um lucro 724 milhões de libras (R$ 5,47 bilhões). Isso corresponde a uma margem de 36% – maior do que a relatada pela Apple, Google ou Amazon, naquele ano. Sabendo como essa indústria funciona, não é difícil entender por que ela é tão lucrativa. No caso de uma editora tradicional, como a Abril ou a Globo, por exemplo, para ganhar dinheiro, primeiro ela tem que cobrir uma série de custos – os salários de jornalistas (redatores, repórteres, editores), que produzem artigos e matérias e os editam e avaliam se vale a pena distribuir o produto (revistas, jornais) acabado para assinantes e varejistas. Tudo isso custa caro, e as revistas de sucesso, segundo Buranyi, costumam lucrar em torno de 12% a 15%. A maneira de ganhar dinheiro com um artigo científico é muito semelhante, exceto por um detalhe: as editoras conseguem se livrar da maior parte dos custos reais. Buranyi lembra que os cientistas criam seus trabalhos – em grande parte financiados por recursos públicos – e os entregam às editoras científicas gratuitamente. Elas então pagam editores científicos, que julgam se compensa publicar o material e verificam sua gramática. A maior parte da carga editorial – verificar a validade científica e avaliar os experimentos, um processo conhecido como revisão por pares –, no entanto, é feita por pesquisadores que trabalham como voluntários. As editoras então vendem o produto de volta para bibliotecas institucionais e universitárias financiadas por recursos públicos, para serem lidos por cientistas que, em um sentido coletivo, criaram o produto em primeiro lugar. Na analogia de Buranyi, é como se a New Yorker ou a Economist exigissem que jornalistas escrevessem e editassem o trabalho uns dos outros gratuitamente e pedissem ao governo que pagasse a conta. Visto de fora, é um modelo de negócio muito estranho. Um relatório do Deutsche Bank de 2005, citado por Buranyi, se referiu a ele como um sistema “bizarro” de “triplo pagamento”, no qual “o Estado financia a maioria das pesquisas, paga os salários da maioria daqueles que verificam a qualidade do trabalho e, em seguida, compra a maior parte do produto publicado” (SILVEIRA, 2021). “No Brasil, por exemplo, a Capes gastou R$ 480 milhões em assinaturas do Portal Periódicos em 2020.” SILVEIRA, Evanildo. O desafio do acesso aberto à publicação científica. Questão de ciência. 2021. Disponível em: https://www.revistaquestaodeciencia.com.br/questao-de-fato/2021/05/21/o-desafio-do-acesso-aberto-publicacao-cientifica Acesso em 07.07.2023. CAPES assina contrato com a editora Springer Nature. Disponível em: https://www-periodicos-capes-gov-br.ezl.periodicos.capes.gov.br/index.php/informativos/81-/3963-capes-assina-contrato-com-a-editora-springer-nature.html Acesso em 07.07.2023. Ver também GOV.BR. CAPES. Portal de periódicos. Missão e Objetivos. Disponível em: https://www-periodicos-capes-gov-br.ezl.periodicos.capes.gov.br/index.php/sobre/missao-e-objetivos.html

[35] Periódicos prestigiados cobram somas exorbitantes para veicular trabalhos. “O modelo também tem desvantagens e consequências ruins para a ciências e os pesquisadores, principalmente dos países em desenvolvimento. Um dos principais é o pagamento, que em muitos casos deve ser feito para a publicação de artigo. “É um problema sério, consumindo recursos que poderiam ser investidos em pesquisa”, diz o físico Marcelo Martinelli, também do IFUSP. “Os US$ 11.390 (cerca de R$ 63,5 mil) cobrados pela Nature para deixar um artigo em acesso aberto correspondem a dois anos de bolsa de doutorado do CNPq” (SILVEIRA, 2021). Disponível em: https://www.revistaquestaodeciencia.com.br/questao-de-fato/2021/05/21/o-desafio-do-acesso-aberto-publicacao-cientifica

[36] “Um DOI é um identificador digital de um objeto, qualquer objeto — físico, digital ou abstrato. Os DOIs resolvem um problema comum: acompanhar as coisas. As coisas podem ser matéria, material, conteúdo ou atividades. Um DOI é um número único composto por um prefixo e um sufixo separados por uma barra. Este é um exemplo de um: 10.1000/182. Pode ser resolvido usando nosso servidor proxy exibindo-o como um link: https://doi.org/10.1000/182. Projetado para ser usado tanto por humanos quanto por máquinas, os DOIs identificam objetos persistentemente. Eles permitem que as coisas sejam identificadas de forma única e acessadas de forma confiável. Você sabe o que tem, onde está e outras pessoas também podem rastreá-lo.” Disponível em: https://www.doi.org/the-identifier/what-is-a-doi/

[37] “A visão da ORCID é um mundo onde todos os que participam de pesquisa, bolsa de estudos e inovação são identificados de forma única e conectados às suas contribuições e afiliações em todas as disciplinas, fronteiras e tempo. Fornecemos um identificador para os indivíduos usarem com seus nomes ao compartilharem suas ideias. Fornecemos ferramentas abertas que permitem conexões transparentes entre pesquisadores e identificadores para suas contribuições, bem como suas afiliações. O que pode parecer uma humilde sequência alfanumérica, na verdade, oferece oportunidades cruciais para gerar confiança e apoiar a pesquisa aberta. Implementamos controles, políticas e práticas para que essas conexões sejam controladas por pesquisadores e a fonte de cada conexão seja articulada abertamente.” Disponível em: https://info.orcid.org/orcid-trust/ Acesso em: 09.07.2023



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